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Liga dos Campeões

Os segundos que definem Endrick

18 set, 2024 - 12:00 • Hugo Tavares da Silva

O garoto correu, ignorou as luzes cintilantes e galácticas que chegavam da esquerda e da direita e bateu na baliza. “Se falhasse, matava-o.”

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De um lado tinha Vinícius. Do outro, Mbappé. Os galácticos iluminavam o caminho do imberbe e recém-casado Endrick, como se fossem candeeiros dourados. O cronómetro estava prestes a picar o ponto. O Real Madrid ia ganhando, com dificuldade, ao Estugarda por 2-1, no Bernabéu.

O miúdo correu, ignorou as luzes cintilantes e ofuscantes que chegavam da esquerda e da direita e bateu na baliza. A bola nem foi com a direção que pertence aos autores virtuosos, mas Alexander Nübel, talvez surpreendido pelo arrojo alheio e quem sabe imprudência, não conseguiu fazer melhor do que empurrá-la para dentro da baliza. E assim salvou o couro do rapazinho de 18 anos, que tinha entrado aos 80 minutos.

“Se falhasse, matava-o”, comentou no fim, entre risos, Thibaut Courtois, que teve mais uma daquelas noites especiais. “Mas marcou e calou toda a gente. Demonstra personalidade ao não ter passado a bola ao Vinícius e ao Mbappé.” Ou seja, foi uma má decisão que correu bem, mas felizmente o futebol ainda vai tendo disso, lobos solitários que olvidam o guião.

Foi a estreia neste torneio do prodígio que aterrou este verão em Madrid, afinado e preparado pela mão exigente de Abel Ferreira no Palmeiras. A pujança do remate confunde-se com a pujança da aura do brasileiro, que se transformou na noite de terça-feira no mais jovem futebolista a marcar na Champions pelo Real Madrid. Não é coisa pouca, hein?

“O Endrick está louco, fez o que ninguém faria”, confessou Rodrygo, também ele a dar corda as sapatos para lembrar as pessoas que tem estatuto por ali e que é um futebolista importante.

Já Carlo Ancelotti, o treinador tranquilo e paternal, comentou os “huevos” do garoto, gabou-lhe a coragem, mas não deixou de beliscar a orelha suavemente. “Era a última bola do jogo, mas a melhor solução era aproveitar o três contra um. O objetivo é marcar golo e ele encontrou a melhor solução.” Uma no cravo, outra na ferradura. Sábio.

O Real Madrid, que passou dificuldades severas contra um bom Estugarda, venceu os alemães, por 3-1, com golos de Mbappé e Antonio Rudiger. Deniz Undav marcou para os visitantes, treinados por Sebastian Hoeness, sobrinho de Uli e filho de Dieter.

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