10 jun, 2024 - 09:10 • Francisco Sousa
Não são de esperar grandes aventuras em termos táticos na seleção croata. Zlatko Dalić irá certamente aproveitar o embalo de mais um Mundial assinalável (3º lugar), mantendo um grupo que prima pela coesão, estabilidade e segurança dos mais «veteranos» e que já começa a incorporar «sangue novo» nalguns setores.
A campanha de apuramento esteve longe de ser brilhante e ficou a marca negativa de duas derrotas consecutivas, face a Turquia e País de Gales. O futebol elaborativo dos balcânicos não encontrou em vários momentos o melhor caminho para as balizas adversárias, em nova prova de que se exige alguma renovação no setor atacante.
Modrić-Brozović-Kovačić, assim sem separação, mantêm-se como fortes candidatos a compor o trio de meio-campo, apesar da irrupção do talentoso Lovro Majer nos últimos dois anos. Ivan Perišić saiu do Tottenham a meio do ano para reforçar o Hajduk Split, da sua terra natal, e continua a ser opção válida para a faixa esquerda, enquanto que à direita pode cair Majer ou a revelação da liga croata Marco Pašalić.
A figura é Joško Gvardiol. Talvez seja estranho não ver Modrić neste lugar de destaque, mas tudo isto se deve ao tremendo impacto de Gvardiol atuando como lateral-esquerdo na fase final da temporada do Man. City, revelando-se absolutamente essencial para a conquista da Premier pelos sky blues. Ganhou argumentos defensivos, mas é pela refinação com bola, pela maneira como mede os tempos de subida ao ataque e como se incorpora por dentro em zonas subidas que mais se evidenciou.
Para o centro do ataque, a renovação continua a não surgir mas os experientes Andrej Kramarić (contributo direto para 21 golos do Hoffenheim na Bundesliga) e Ante Budimir (17 tentos na La Liga, ao serviço do Osasuna) podem continuar a dar a tão desejada veia goleadora, bem como o possante (e também forte em apoio) Bruno Petković, autor de 18 golos e 9 assistências na época do Dinamo Zagreb.
O rendimento defensivo da formação de Dalić também foi questionado no pós-Mundial mas no setor mais recuado, sim, começa-se a notar aposta em unidades para o presente e futuro a longo prazo da seleção croata.
Josip Šutalo e Joško Gvardiol são os candidatos mais sérios à titularidade ao centro, ainda que o jogador do Manchester City se tenha destacado mais na lateral, nos últimos meses da temporada. Aí, mora um Borna Sosa que representa uma solução sólida e segura, enquanto que do lado direito os versáteis Josip Stanišić e Josip Juranović possam tomar a posição.
Na baliza, Dominik Livaković continua a ser o indiscutível dono e senhor do lugar e os croatas rezam para que esteja pelo menos tão inspirado quanto na última grande prova disputada.