17 dez, 2024 - 12:45 • Carlos Calaveiras
A judoca Telma Monteiro terminou a carreira, após mais de 20 anos ao mais alto nível na modalidade, com medalhas em Campeonatos da Europa, do Mundo e Jogos Olímpicos. A Renascença falou com Ana Hormigo, ex-colega e antiga treinadora da medalhada olímpica.
Ana Hormigo conhece Telma Monteiro há muitos anos, partilharam momentos dentro e fora do tatami, e não tem dúvidas: “Ela sempre foi uma atleta muito talentosa, mas extremamente dedicada ao trabalho e teve sempre a vontade de se querer superar. Teve sempre a ambição de ser um bocadinho melhor. Ela desafiava-se todos os dias e era isso que a levava a conquistar todos os títulos que conquistou”.
O que Telma Monteiro conseguiu no judo não é nada fácil. “Não é só estar 20 anos no alto rendimento, é estar mais de 20 anos no topo da montanha”, reforça.
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Apesar da carreira de Telma Monteiro ser muito recheada de títulos e medalhas, o ponto alto é fácil de identificar: a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos 2016.
“O ponto alto na carreira dos atletas, o que mais ambicionam, é sempre uma medalha olímpica. A Telma só em 2016 é que consegue, o que não é normal. Já desde 2004, 2008, 2012 que ela tentava conquistar uma medalha, era sempre favorita, e é na quarta edição que consegue a medalha olímpica. A vontade dela era tão grande, era maior do que qualquer desafio dela, que quando ela a conquista em 2016 para mim não é surpresa. A Telma era sempre uma forte candidata em todas as edições [de JO] e todas as provas mesmo às vezes não estando nas melhores condições”.
A judoca do Benfica estava na rota de algo histórico (uma sexta presença nuns Jogos Olímpicos), mas uma lesão grave em novembro de 2023 impediu que o sonho se concretizasse. Apesar disso, a atleta lutou até ao fim e ficou a um lugar da entrada direta em Paris 2024.
“A Telma estava no seu sexto ciclo olímpico, teve uma lesão muito grave no Campeonato da Europa, em novembro de 2023, e logo se apontou que a recuperação não dava para chegar a tempo dos Jogos Olímpicos, já que ela precisava de estar a competir daí a cinco meses e as lesões até poderiam colocar um ponto final na carreira", continua Hormigo. "
E acrescenta: "A Telma fez um trabalho extraordinário, cumpriu rigorosamente com todo o plano de treino e a verdade é que entrou no Campeonato da Europa cinco meses depois. Foi uma corrida contra o tempo. Ela esteve sempre nos lugares olímpicos e só sai dos lugares de apuramento na última competição que era na Turquia".
Depois de 24 anos de carreira (e 94 medalhas), Telma Monteiro dá um passo em frente. Passa a ser a nova coordenadora do judo no Benfica. Ana Hormigo, que recentemente deixou de ser treinadora das águias, aplaude a decisão dos encarnados.
“A Telma tem uma experiência gigante, esteve 24 anos no alto nível, está há 17 no Benfica, conhece a casa muito bem e já achava que era ela que tinha de impulsionar o clube porque não há melhor pessoa para ficar na coordenação", reflete Ana Hormigo.
E conclui: "O convite foi feito, ainda bem, porque acho que o Benfica tem a ganhar, o judo tem a ganhar, Portugal tem a ganhar porque tem uma experiência que não se ensina em lado nenhum. É licenciada em educação física, tem uma pós graduação em gestão desportiva porque sempre quis ir mais além e sabia que o judo ia fazer parte da vida dela. O projeto tem tudo para ser gigante e ela vai dar um impulso enorme à equipa e os atletas – claro – ficam contentes de ter a Telma na liderança”.