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Jogos Olímpicos

Um cavalo, um homem, uma viagem de 36 horas até Paris e o sonho de fazer algo inesquecível: "Sonhar não custa"

25 jul, 2024 - 12:15 • Rui Viegas, em Paris

Manuel Grave foi o primeiro a fazer-se ao caminho, com o Carat de Bremoit, e já está em Versailles, o centro da competição equestre nos Jogos de 2024.

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Equipa hipismo portuguesa Jogos Olímpicos
Oiça a reportagem de Rui Viegas em Paris

Saiu de Évora e chegou a Versailles, Paris, por estrada. Manuel Grave viajou “um dia e meio sensivelmente” para levar o seu Carat de Bremoy, um cavalo francês que há anos o acompanha, aos Jogos Olímpicos de 2024.

“A viagem correu bem”, começa por dizer-nos o cavaleiro que imita a presença do pai, Carlos, representante das cores nacionais em Atenas 2004.

Esta é uma logística à parte de todas as outras. Pela especificidade da modalidade, mas também pela existência de um ‘parceiro equídeo’ que obriga a especial atenção. E, sobretudo, cuidados.

“Há que vigiar o animal, perceber as suas necessidades, fazer uma paragem a meio caminho e nunca passar das 11 horas de viagem, pois pode ser muito cansativo para o cavalo”, explica à Renascença o 60.º qualificado nacional para estes Jogos, quando acaba de montar e treinar já no espaço do ‘château’ real, epicentro dos torneios olímpicos de hipismo e pentatlo moderno.

Esta será a primeira vez desde 1960 que Portugal estará representado nas três disciplinas da competição equestre (também dressage e obstáculos), para além do concurso completo de equitação no qual Grave entrará este sábado. É uma espécie de triatlo que junta obstáculos, dressage e cross.

Chegados aqui, e à capital francesa, a ideia, diz-nos o atleta, é fazer “um resultado digno”.

Um pouco mais ousado nas palavras mostra-se o chefe de equipa, lembrando que passam 100 anos sobre a alegria que o equestre nacional deu ao país com o bronze coletivo, curiosamente obtido também na pista de Paris.

“É um marco enorme para nós”, admite António Frutuoso de Melo. “Sonhar não custa e porque não pensar que levamos daqui uma memória inesquecível? Como aquela que os nossos antepassados fizeram, com a conquista da primeira medalha para Portugal. E estes nossos atletas assim o farão também”, confia, ao mesmo tempo que reforça a vontade de alcançar “uma surpresa agradável”.

Maria Caetano, Rita Ralão Duarte e João Moreira, que irão competir em dressage, e Duarte Seabra, em obstáculos, completam a formação lusa em Paris.

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