24 jan, 2025 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo
"Trump, segunda temporada", o título da capa do Público de 20 de janeiro, o dia da tomada de posse, retrata o regresso do mesmo protagonista, agora com um guião mais estruturado, com uma equipa mais profissional. O 47º Presidente dos Estados Unidos rejeita a ordem internacional tal como ela existe e não hesita um momento em explicar ao que vem: ser o agente principal de um novo mundo, de uma nova ordem.
Um discurso virado para dentro, para a América profunda, com enfoque na imigração, num novo impulso aos combustíveis fósseis, na revitalização da indústria, na administração pública, no combate à cultura woke. Nas relações internacionais, com a mesma perspetiva americana de sempre, mas nunca proclamada de forma tão direta: "somos os mais poderosos, todos os países precisam de nós. Imporemos a nossa vontade a quem quer que seja, Europa incluída".
O espetáculo da Sala Oval com a assinatura das ordens executivas na presença de jornalistas que iam fazendo perguntas, às quais Trump respondia, entre assinaturas, numa conversa que poderia estar a acontecer na sala de estar lá de casa, inaugura uma nova forma de comunicação na relação do poder com os Media. Trump banalizou o valor simbólico daquela sala? Sim, claro. Se dúvidas existissem, ficou ali confirmado que será também pela comunicação que se instalará a tal nova ordem. Desvalorizando os símbolos das instituições; investindo decididamente na personalização do cargo.
Nas cerimónias de investidura ficou também a saber-se, para quem ainda tivesse dúvidas, que Trump não aprecia “desalinhados”. A Bispa de Washington, Mariann Edgar Budde, no Culto de celebração da tomada de posse atreveu-se: “em nome do nosso Deus [o mesmo que Trump disse que o tinha protegido na tentativa de assassínio de que foi vítima], peço-lhe que tenha misericórdia”, referindo-se aos imigrantes e às pessoas LGBT+. E acrescentou: “o nosso Deus pede-nos para sermos misericordiosos com o estrangeiro, numa Terra em que todos nós já fomos estrangeiros”. Em resposta, Trump acusou a eclesiástica de “hater” e “radical de esquerda”. E exigiu um pedido de desculpas públicas. Trump não tolera “fraquezas”. É este o “destino manifesto” da América que a nova administração imporá ao resto do Mundo, com o vigor que lhe for permitido.
Neste nosso tempo o Mundo está estranho, e não se prevê que melhore. Um deputado da Nação, Miguel Arruda, dedica-se, alegadamente, ao roubo de malas nos aeroportos de Lisboa e dos Açores; o segundo ex-diretor executivo do SNS, quadro dirigente da delegação do INEM, no Porto, empenhava o esforço e o conhecimento em biscates em vários hospitais como médico tarefeiro; o Bloco de Esquerda, queixou-se à ERC porque a revista Sábado contou a verdade sobre despedimentos no Partido mas, depois de muitas hesitações e tentativas para iludir a realidade, veio admitir que despediu mães de crianças em período de amamentação. Como qualquer empresário sem freio e certamente sem coração que os bloquistas se inquietam a denunciar e que combatem todos os dias com o vigor das suas convicções.
O Príncipe Harry venceu a batalha judicial contra o jornal The Sun. O acordo obriga as empresas de Rupert Murdock ao pagamento de uma pesada indemnização, em torno dos oito dígitos, a título de compensação, pela invasão de privacidade, extensiva aos excessos cometidos pelas publicações do Grupo contra a mãe, Diana de Gales. Estaremos perante um novo paradigma na avaliação dos limites à invasão da privacidade das personalidades públicas?
Uma equipa da CMTV foi ameaçada, junto do Estádio do Dragão, na cobertura do regresso da equipa na viagem a Barcelos. Um grupo de seis pessoas terá tentado invadir os estúdios daquele canal de televisão, naquela cidade. Estaremos perante o regresso das dificuldades, para dizer o mínimo, nas relações do FCP com os Media? E o grupo de seis pessoas foi identificado? O que diz a Polícia?
Morreu Oliviero Toscani, fotógrafo da Benetton. “Se não há polémica, não há interesse”, dizia ele há 40 anos. Uma declaração que retrata, de forma eloquente, a realidade deste nosso tempo.
Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, o Bloco de Esquerda admite que contas saudáveis implicam ajustar os custos às receitas. Com menos receitas, a organização foi obrigada a despedir 30 pessoas, para reduzir custos. Vamos voltar a vê-los à porta das empresas a reclamar contra despedimentos selvagens, como costumam classificar?
Quanto vale uma estrutura, cuja direção está sistematicamente a ser substituída? Pouco ou nada, certamente. Para que serve, então, a direção executiva do SNS?
Rocha Vieira, último Governador de Macau, dirigiu com competência, sensatez e honra a missão da devolução à China daquele território sob administração portuguesa. Para a história, fica a imagem icónica da bandeira nacional junto ao peito, do lado do coração. Podia, talvez, ter sido Presidente da República. Morreu esta quarta-feira (22). Tinha 85 anos.