05 jul, 2024
Em junho a inflação na zona euro desceu mais uma décima, para 2,5%. Assim, lentamente, mas com uma direção clara, a alta dos preços vai-se aproximando do objetivo, que é 2%. Em outubro de 2022 a inflação atingiu 10,6%.
Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, espera que o Banco Central Europeu (BCE) baixe os seus juros mais do que uma vez ainda neste ano. Mas não já na reunião de 18 de julho.
Christine Lagarde, presidente do BCE, continua a ver vários motivos de incerteza em relação à inflação futura, até porque existe o risco de haver novos “choques do lado da oferta”, como aqueles relacionados com a energia, que contribuíram para o surto inflacionista de 2021/2022. “Vai levar algum tempo até que possamos reunir dados suficientes para podermos dizer, com toda a certeza, que foram ultrapassados os riscos de uma inflação acima do objetivo”, sublinha a presidente do BCE.
Quanto à posição do BCE, estamos assim entendidos. Entretanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de uma missão técnica sua ter estado em Portugal no fim de junho, elogiou a política portuguesa em matéria de contas públicas. E até reviu em alta o crescimento do PIB em Portugal.
Mas não deixou de lançar um alerta: o FMI duvida da eficácia do IRS Jovem – travar a emigração de jovens diplomados – e sobretudo defende que a receita que o Estado perde com esse programa seja compensada com cortes na despesa pública e/ou com subidas de impostos.
A preocupação do FMI está em que não ocorra em 2025 uma nova deterioração do saldo orçamental do Estado, porque “qualquer novo relaxamento da posição orçamental arriscar-se-ia a reacender a inflação”. Ou seja, não é só a imagem do Estado português nos mercados financeiros internacionais que poderá ser afetada, mas também o possível regresso da inflação preocupa o FMI.
Um alerta que se dirige naturalmente ao Governo, mas também ao Parlamento português, onde por vezes partidos da oposição fazem aprovar medidas envolvendo maior despesa pública.