Eurogrupo vai prolongar-se pela madrugada em busca de acordo para responder à pandemia
07-04-2020 - 23:04
 • Lusa

De um lado, com Itália à cabeça, estão os países que defendem a emissão conjunta de dívida para responder à crise económica gerada pelo novo coronavírus. Do outro, um conjunto de países, encabeçados pela Holanda, rejeita a mutualização da dívida, e, mesmo em relação ao Mecanismo Europeu de Estabilidade, quer impor condições.

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Os ministros das Finanças europeus, reunidos através de videoconferência desde esta terça-feira à tarde, vão prosseguir as discussões ao longo da madrugada, em busca de um compromisso sobre a resposta económica à crise provocada pela pandemia de Covid-19.

Segundo o porta-voz do presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, “os trabalhos com vista a uma resposta ambiciosa da política económica da UE [União Europeia] à Covid-19 estão no bom caminho, mas ainda não chegaram a bom termo”, pelo que as discussões prosseguirão pela madrugada, tendo a conferência de imprensa final, inicialmente prevista para hoje à noite, sido reagendada para as 10:00 de quarta-feira em Bruxelas (09:00 de Lisboa).

A videoconferência de hoje do Eurogrupo, conduzida desde Lisboa por Mário Centeno, começou já com um atraso de uma hora, às 15h00 de Lisboa, tendo sido interrompida cerca das 18h00 para “uma pausa de uma hora”.

Contudo, essa interrupção – durante a qual são feitos os tradicionais contactos bilaterais para tentar alcançar consensos - foi sendo prolongada até às 22h00 de Lisboa, até ao anúncio de que os trabalhos vão mesmo entrar noite dentro e de que a conferência de imprensa para dar conta dos resultados da reunião terá lugar apenas na manhã de quarta-feira.

Um dos participantes no encontro, o ministro das Finanças maltês, Edward Scicluna, já ‘antecipara’ na sua conta oficial na rede social Twitter que a “maratona do Eurogrupo” poderia prolongar-se “até amanhã de manhã”, quarta-feira.

Antes da reunião, Centeno disse esperar que os ministros das Finanças europeus cheguem a acordo sobre um pacote financeiro de emergência robusto para trabalhadores, empresas e países, e que se comprometam claramente com um plano de recuperação de grande envergadura.

Contudo, o compromisso a que os ministros das Finanças estão ‘obrigados’ a chegar está a revelar-se difícil de 'fechar', pois o ponto mais controverso da resposta, o financiamento para os Estados-membros, que Centeno defende que deve ser garantido através de linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), por ser a opção mais prática e “consensual”, continua a dividir os Estados-membros.

De um lado, vários países, encabeçados por Itália, defendem antes a emissão conjunta de dívida – os chamados ‘eurobonds’ ou ‘coronabonds’ – e o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já reafirmou a sua oposição à solução em forma de empréstimos do fundo de resgate da zona euro. Do outro, um conjunto de países, com Holanda à cabeça, rejeita liminarmente a mutualização da dívida, e, mesmo em relação às linhas de crédito do MEE, quer impor condições.

Mais pacíficas serão as duas outras vertentes do pacote de emergência que o presidente do Eurogrupo espera ‘fechar’ nesta reunião, para apresentar aos chefes de Estado e de Governo da UE: o programa de 100 mil milhões de euros proposto pela Comissão Europeia para financiar regimes de proteção de emprego e uma garantia de 200 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para apoiar as empresas em dificuldades, especialmente as pequenas e médias empresas.

Em pouco mais de um mês, esta é a quarta reunião por videoconferência dos ministros das Finanças europeus para tentar acordar uma resposta comum à crise do novo coronavírus, sendo que desta feita é-lhes ‘exigido’ um compromisso, para ser apresentado aos líderes europeus.

No último Conselho Europeu por videoconferência, realizado em 26 de março, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, após uma longa e tensa discussão, mandataram o Eurogrupo para apresentar, no prazo de duas semanas, propostas concretas sobre como enfrentar as consequências socioeconómicas da pandemia, que “tenham em conta a natureza sem precedentes do choque de Covid-19”, que afeta as economias de todos os Estados-membros.