​Uma escolha feliz
28-08-2019 - 06:15

A indicação da socialista Elisa Ferreira para comissária europeia foi aplaudida por gente de outras áreas políticas. Compreende-se, pois é uma boa escolha na perspetiva do interesse nacional.

Há dias circulou em alguns órgãos da comunicação social a informação de que o primeiro-ministro teria indicado uma pasta económica e financeira na Comissão Europeia para Elisa Ferreira. Como Portugal já tem o presidente do Eurogrupo, M. Centeno, esta indicação levaria a que o comissário português fosse o outro nome apontado à presidente da futura Comissão, Pedro Marques. Sempre teria sido este nome o preferido por A. Costa, dizia-se.

Afinal, fomos ontem oficialmente informados de que Elisa Ferreira será a comissária portuguesa, em pasta ainda a determinar. Não sei se o tal esquema um tanto maquiavélico para colocar Pedro Marques na Comissão Europeia existiu ou não. Mas não tenho dúvidas de que Elisa Ferreira é a escolha acertada.

Escolha de quem? Teoricamente, do primeiro-ministro português. Claro que A. Costa concordou… com a decisão de Ursula von der Leyen. O eurodeputado socialista Carlos Zorrinho disse ontem que a escolha final de Elisa Ferreira para comissária europeia foi feita pela própria presidente da Comissão. Ela falou com os dois candidatos portugueses e, pelos vistos, apercebeu-se das diferenças entre eles. É um bom sinal da capacidade de Ursula para avaliar pessoas.

Pedro Marques era um estreante no meio comunitário. E a sua prestação como ministro das Infraestruturas não deixou saudades. Pelo contrário, Elisa Ferreira tem um currículo brilhante no plano político (duas vezes ministra), académico, financeiro (é vice-governadora do Banco de Portugal) e sobretudo europeu. Durante 12 anos foi deputada no Parlamento Europeu, tendo-se ali envolvido em várias tarefas de responsabilidade. Além disso, conhece o mundo empresarial português, sobretudo o do Norte do país.

Não admira, assim, que a nomeação desta militante socialista para a Comissão Europeia tenha sido saudada com satisfação e elogios por parte de pessoas de outras áreas políticas, como Paulo Rangel, Miguel Cadilhe, Rui Rio ou Carlos Moedas, o ainda comissário português. E também de Marisa Matias, eurodeputada do BE. Satisfação e elogios justificados porque se trata, de facto, de uma feliz escolha do ponto de vista do interesse nacional.