​Descanso ao domingo é uma medida de “ecologia social”
17-08-2021 - 18:51
 • Teresa Almeida, com redação

Pedro Vaz Patto, da Comissão Nacional Justiça e Paz, defende encerramento das grandes superfícies ao domingo.

O encerramento das grandes superfícies ao domingo é uma medida de “ecologia social”, que beneficiaria as famílias e não teria impacto económico, afirma à Renascença Pedro Vaz Patto da Comissão Nacional Justiça e Paz.

Sem comentar os casos de trabalhadoras de centros comerciais que estão a ser processadas porque pretendem folgar aos fins de semana, Pedro Vaz Patto defende que o domingo deve ser dia de descanso.

“Já de há algum tempo tenho estudado a questão e defendido a importância de haver um dia de descanso comum que, em princípio, deverá ser o domingo, por uma questão de tradição e também de respeito pela necessidade de culto religioso.”

O jurista sublinha a importância da dimensão familiar e comunitária dos trabalhadores portugueses.


“A pessoa tem uma dimensão familiar e comunitária, daí a importância que haja um dia de descanso comum, que é importante para a vida das famílias e da sociedade em geral, porque há muitas atividades comunitárias que vão para além da dimensão produtiva e consumista. É este equilíbrio, esta coesão e harmonia social que exige o respeito pelo domingo.”

A questão da natalidade “também depende da conciliação entre a vida laboral e familiar”, para “atenuar este verdadeiro drama” da redução de nascimentos em Portugal, adverte.

Questionado se seria fácil incutir nos portugueses essa mudança nos horários, Pedro Vaz Patto considera que sim e dá o exemplo de outros países onde “vigoram normas mais restritivas em relação ao trabalho aos domingos”.


O Bispo do Porto, D. Manuel Linda, está solidário com as mães de menores que reivindicam folgas aos fins de semana.

“Dou o meu apoio às mães de menores de 12 anos que trabalham nas lojas dos shoppings e reclamam folga ao fim de semana, pois não têm onde deixar os filhos”, escreve D. Manuel Linda numa mensagem na rede social Twitter.

Para o bispo do Porto, “a abertura das superfícies comerciais ao Domingo é sinal de penúria sociocultural”. “Pensemos na família!”, apela o prelado.

O “Jornal de Notícias” noticiou, na segunda-feira, que algumas lojas de centros comerciais colocaram em tribunal trabalhadores que pediram para folgar aos fins de semana, no âmbito do horário flexível, a que têm direito por terem a cargo filhos com idade igual ou inferior a 12 anos.