Tusk avisa May: adiar Brexit "é possível" mas só se acordo for aprovado no Parlamento
20-03-2019 - 16:11
 • Tiago Palma

O acordo da primeira-ministra, rejeitado já em duas ocasiões no Parlamento britânico, não poderá voltar a ser votado caso não apresente mudanças significativas.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, confirmou esta quarta-feira em Bruxelas que recebeu da primeira-ministra britânica Theresa May (com quem "já conversou hoje") um pedido de adiamento da data de saída do Reino Unido da União Europeia até 30 de junho.

Sobre o curto adiamento, Tusk confirma que o mesmo “é possível”, mas terá "reservas", ou seja, está dependente da aprovação no Parlamento britânico do acordo que Theresa May negociou com Bruxelas.

Ora, esta declaração do presidente do Conselho Europeu acaba por deixar a primeira-ministra numa encruzilhada política: é que o acordo de May, rejeitado já em duas ocasiões pelos deputados, não poderá voltar a ser votado (foi o líder da Câmara dos Comuns, John Bercow, quem o garantiu na segunda-feira) caso não apresente "mudanças significativas".

E não só May não parece querer mudar significativamente o seu acordo – prefere angariar apoios entre deputados por forma a ter a desejada aprovação –, como, para o fazer, terá sempre que voltar à mesa das negociações com Bruxelas, onde parecer ter-se esgotado já a paciência dos líderes europeus para ceder no que quer que seja.

Bruxelas acolhe entre quinta e sexta-feira um Conselho Europeu, no qual os chefes de Estado e de Governo da União Europeia deverão discutir o pedido britânico, que terá de ser aprovado de forma unânime, de modo a prevenir uma saída desordenada já no final da próxima semana.

Donald Tusk, embora garanta "boa vontade" para "até ao fim" tentar fechar um acordo, admitiu também convocar, em última instância e "sem hesitar", uma reunião extraordinária do Conselho Europeu para a derradeira semana de decisões.

"Embora a fadiga causada pelo Brexit seja cada vez mais visível e justificada, não podemos desistir de procurar, até o último momento, uma solução positiva – sem abdicar, claro, do acordo de retirada. Sempre reagimos com paciência e boa vontade a inúmeras reviravoltas nos acontecimentos e estou confiante de que também agora não nos faltará a mesma paciência e boa vontade neste ponto mais crítico do processo.", concluiu.