​A diferença de Macron
07-11-2018 - 06:42

O Presidente de França está agora em baixo nas sondagens. Mas, ao invés do que aconteceu com vários dos seus antecessores, Macron não recua. E já obteve alguns resultados.

Emmanuel Macron foi eleito Presidente de França em maio de 2017 com 66% dos votos. Ex-membro do partido socialista, ex-ministro da Economia, tornou-se um político independente e não apenas ascendeu a Presidente da República como conseguiu uma confortável maioria na Assembleia Nacional francesa. Agora está muito em baixo nas sondagens.

Dois ministros demitiram-se (em França o Presidente é o chefe do executivo). Na Alemanha, Angela Merkel está politicamente enfraquecida, frustrando a intenção de Macron – um europeísta convicto – de relançar o eixo franco-alemão na reforma da UE. Estará Macron condenado ao fracasso?

Talvez não, por um motivo: Macron não recua naquilo em que acredita, o que contrasta com inúmeras reformas falhadas por antecessores seus, que desistiram face às manifestações e protestos em que os franceses são campeões. Ora, mesmo na sua curta presidência de pouco mais de um ano, Macron já mostrou que não se assusta com a contestação social, coisa rara em França. Ainda no ano passado conseguiu reformar a lei laboral, tornando-a menos rígida; e o desemprego baixou. Na primavera deste ano Macron enfrentou três meses de greve nos caminhos de ferro, incomodando milhões de franceses, mas em junho promulgou a sua reforma ferroviária. Agora anuncia medidas impopulares, como a subida dos impostos sobre os combustíveis e cortes em despesas do Estado, por exemplo.

O seu empenho no relançamento da integração europeia também não diminuiu. Há dias, Macron denunciou o “nacionalismo belicoso”, que leva a uma “Europa cada vez mais fraturada”. E apelou aos europeus para “se protegerem da China, da Rússia e mesmo dos EUA”, acentuando que a Europa não pode depender apenas dos americanos para se defender.

Alguns observadores criticam Macron por ele querer intervir em todos os problemas que o seu governo enfrenta, o que o esgota. Terá de delegar mais, o que é difícil para um corredor solitário que é o Presidente francês. De qualquer forma, é demasiado cedo para considerar Macron derrotado.