António Costa: “Lacerda Machado não tinha qualquer mandato da minha parte”
11-11-2023 - 19:57
 • Fábio Monteiro

António Costa pediu desculpa aos portuguesese disse esperar que a justiça venha a apurar "responsabilidades individuais" na Operação Influencer.O primeiro-ministro admitiu também que, provavelmente, "nunca mais exercerá um cargo público".

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António Costa quis explicar, este sábado à noite, aos portugueses a política de investimentos nas áreas digital e de ambiente, áreas diretamente ligadas à Operação Influencer.

Mas ainda antes de falar sobre negócios, o primeiro-ministro teceu um comentário a propósito da apreensão de quase 76 mil euros no gabinete de Vítor Escária.

“A apreensão de envelopes com dinheiro no gabinete de uma pessoa que escolhi para trabalhar comigo, mais do que me magoar pela confiança traída, envergonha-me a mim a aos portugueses. Tenho o dever de pedir desculpa”, disse.

Aos jornalistas, o primeiro-ministro garantiu que o próprio e todos os elementos do Governo irão colaborar com a justiça.

“Cabe às autoridades investigar e punir se for o caso. Respeito e confio na justiça e todos os organismos da administração central, qualquer membro do Governo a começar por mim próprio daremos às autoridades judiciárias toda a colaboração necessária”, disse.

Tendo em conta que a investigação da Operação Influencer irá demorar, Costa admitiu que “com grande probabilidade não exercerei mais qualquer cargo público”.

E, sobre o papel de Diogo Lacerda Machado em negócios do Governo, Costa atirou também: “Lacerda Machado não tinha qualquer mandato da minha parte.”


Quanto às explicações prometidas, Costa defendeu que é importante que Portugal “não desperdice” oportunidades de investimento, assim como a necessidade de "pleno aproveitamento das infraestruturas do país".

"A razão pela qual decidi fazer esta comunicação hoje foi porque ao ver o noticiário, fui verificando que se pressupunha uma ideia muito perigosa de que os governantes não devem agir para atrair investimentos, para resolver problemas, para simplificar procedimentos burocráticos, e acho que essas ideias são perigosas”, explicou.

Nos últimos anos, lembrou o primeiro-ministro, Portugal acolheu 56 mil milhões de euros em investimento estrangeiro, montante que contribuiu para a criação de 650 mil postos de trabalho, dos quais 450 mil qualificados.

No entender do primeiro-ministro, o esforço da atração de "investimento, designadamente a concessão de inventivos financeiros ou a aplicação de regras especiais, tem de decorrer com total transparência”.

“Esse esforço é regulado por lei está sujeito a fiscalização e, nunca por nunca, deve resultar de mera decisão arbitrária ou discricionária”, disse.

A declaração deste sábado, ocorre um dia depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter informado que o inquérito a António Costa começou a 17 de outubro.

O Ministério Público referiu que quando a notícia foi conhecida, na terça-feira, "encontrava-se já instaurado no Supremo Tribunal de Justiça o inquérito" há 22 dias.