Vigilância reforçada na Serra da Estrela após “três reativações simultâneas“
16-08-2022 - 13:25
 • Ricardo Vieira

Maior incêndio do ano lavra desde 6 de agosto e já consumiu cerca de 15 mil hectares de mato e floresta.

Após “três reativações simultâneas“ do incêndio na Serra da Estrela a GNR vai reforçar a vigilância na região, anunciou esta terça-feira o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

O brigadeiro-general José Manuel Duarte falava aos jornalistas após uma reunião com os presidentes de câmara de Belmonte, Covilhã e Guarda.

“Uma das coisas que foi profundamente alterada, inclusivamente por indicação do ministro da Administração Interna e ontem falei com o senhor comandante nacional da GNR, um incremento ainda mais ativo das forças adstritas à vigilância em toda esta região por forma a que de uma forma persuasiva as pessoas não se sintam tentadas a fazer o uso do fogo, seja por motivos dolosos ou por motivos do seu trabalho numa situação que é muito perigosa nesta altura”, declarou o presidente da ANEPC.

José Manuel Duarte adianta que “a GNR e a Polícia Judiciária têm desenvolvido um conjunto de medidas de incremento nas suas áreas de investigação por forma a detetar, e se possível, apanhar as pessoas que ao longo destes dias têm estado a meter fogo”.

“As investigações estão a seguir com toda a calma e serenidade. Só depois é que podemos dizer se foi fogo posto ou uma utilização inconsciente do fogo ou alguma reativação. A única coisa que nos espanta é que três reativações simultâneas com uma violência muito grande num incêndio que há dois dias estava dominado nos deixa expectantes relativamente ao que possa ser o resultado dessas investigações”, sublinha o presidente da ANEPC.

Num ponto de situação da situação no terreno, José Manuel Duarte adianta que o incêndio tem nesta altura duas frentes, na Guarda e em Belmonte, sendo esta última a mais preocupante.

“Ainda vivemos aqui uma situação - apesar de mais controlada - que está ainda muito ativo. Temos que continuar a combater”, sublinha.

O responsável da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil garante a existência de um "alinhamento profundo entre a Autoridade e os presidentes de Câmara, nos concelhos da Guarda, Belmonte e Covilhã". “Os apelos dos autarcas são tidos em grande atenção”, reforçou.

“Temos mantido um contacto constante para percebermos aquilo que está a ocorrer, quais são as medidas que temos que implementar no terreno e fundamentalmente aquilo que temos de modificar relativamente a toda a estrutura para um incêndio que tinha sido dado como dominado e que, ontem fruto, de três ocorrências simultâneas surgiram no teatro de operações nos levou a ter que intensificar e a duplicar, e vamos ver qual é o número de operacionais que vamos ter que meter aqui no terreno. Neste momento temos cerca de mil operacionais para duas frentes, uma muita perto de nós em Belmonte e outra frente que está na região da Guarda, mas que está mais controlada", disse o brigadeiro-general.

Até ao momento, ardeu pelo menos uma casa de primeira habitação no concelho da Covilhã.

“Há pessoas desalojadas, há pessoas evacuadas, outras que poderão vir a sê-lo também”, disse o autarca da Covilhã.

No concelho de Belmonte um barracão terá sido consumido pelas chamas.