De máscara à porta da escola. Pais e alunos exigem retirada de amianto
11-02-2019 - 09:41
 • Lusa

Terceiro dia de protesto em Vieira do Minho. Na passada, a escola Escola Básica e Secundária foi fechada a cadeado e ninguém foi às aulas.

Pais e alunos de Vieira do Minho cumprem esta segunda-feira, de máscaras na cara, o terceiro dia de protestos contra o impasse nas obras de requalificação da Escola Básica e Secundária Vieira de Araújo.

O presidente da Associação de Pais, Paulo Magalhães, explicou à Lusa que as máscaras são "uma chamada de atenção e um grito de alerta para o problema muito sério" do amianto na escola.

"São centenas e centenas de alunos, professores e funcionários que todos os dias estão expostos ao amianto, com tudo o que isso implica de risco para a saúde", referiu.

O protesto desta segunda-feira traduz-se num cordão humano, que junta representantes de toda a comunidade escolar.

Na quinta e na sexta-feira, a escola foi fechada a cadeado e ninguém foi às aulas.

Esta segunda-feira, os portões estão abertos, mas, segundo Paulo Magalhães, só entraram os alunos que têm testes ou visitas de estudo. O responsável referiu que "mais de 90% dos alunos está do lado de fora e não vai entrar", adiantando ainda que a luta vai continuar até haver garantia do arranque das obras.

"Queremos uma escola moderna, requalificada, sem amianto, sem chuva e sem frio nas salas de aula, queremos o que muitas escolas no resto do país já têm", lê-se num comunicado da Associação de Pais.

O presidente da Câmara, António Cardoso, explicou que já foram abertos três concursos para a obra, tendo os dois primeiros ficado vazios. O vencedor do terceiro, por sua vez, "não reuniu as condições necessárias para iniciar os trabalhos".

Para o autarca, é necessário subir o preço base em 300 mil euros para aparecerem candidatos à obra.

A Câmara diz que já pediu ao Ministério da Educação que suportasse aqueles 300 mil euros, para que a empreitada tivesse condições de ser adjudicada nos moldes em que foi concebido todo o projeto. "Foi-nos proposto que revíssemos o projeto, para enquadrar a obra dentro dos valores previstos, mas não estamos disponíveis para isso. O projeto já foi revisto duas vezes e já chega. A escola precisa de uma intervenção a sério e não de uma intervenção faz de conta", referiu António Cardoso.

Contactado pela Lusa, o Ministério da Educação já disse que "está em contacto com a Câmara Municipal de Vieira do Minho de modo a encontrar uma solução que permita, tão breve quanto possível, iniciar essa obra".