Falta “apoio fiscal coordenado às empresas” e “mutualização da dívida”, critica Durão Barroso
07-04-2020 - 01:30
 • Renascença

Antigo primeiro-ministro português não acredita que a solução passe pelos eurobonds, ou coronabonds, porque há vários países que se opõem.

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O antigo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, lamenta que, no combate à pandemia de Covid-19, esteja a faltar “coordenação do apoio fiscal às empresas”.

Durão Barroso acrescenta que na União Europeia (UE) também “falta acordo sobre a mutualização da dívida".

Apesar disso, o ex-primeiro-ministro português acredita que "de alguma forma será encontrada uma solução”, ainda que não com os chamados 'coronabonds'.

“Não penso que serão os eurobonds", declarou o antigo primeiro-ministro português esta segunda-feira, na conferência da Fundação Gulbenkian sobre repostas para combater o impacto do novo coronavírus. “Não estão suficientemente prontos e alguns países opõem-se de uma forma muito forte."

Na mesma conferência, aquele que dirigiu o executivo comunitário entre 2004 e 2014 fez o exercício de olhar de fora para o bloco europeu.

"Penso que a União Europeia está a passar por uma crise existencial. Já o disse e não devemos ser complacentes. Há riscos que vêm maioritariamente da polarização das opiniões públicas dos nossos países.”

Durão Barroso detalha: “De acordo com as minhas fontes, agora é pior do que no passado. Dizem-me que a atmosfera entre os líderes no Conselho Europeu é pior do que no passado. E esta divisão entre Sul e Norte não é saudável. Mas penso que no fim de contas, apesar disso, se houver suficiente liderança haverá um compromisso. E obter compromisso é a forma como geralmente a União Europeia toma decisões".