Numa noite eleitoral marcada por surpresas, que levantaram suspeitas sobre a fiabilidade das sondagens, há uma freguesia alfacinha que antecipou o resultado nacional.
Com 3.164 eleitores inscritos, Cadaval e Pêro Moniz registou um desvio médio dos resultados nacionais de 0.5%, o mais baixo em todo o país e melhor do que qualquer estimativa apresentada pelos diversos inquéritos de opinião das últimas semanas.
Este valor, que considera os resultados obtidos nos partidos com assento parlamentar, somou o maior desvio no PSD, mas pela positiva. Se as legislativas se decidissem nesta freguesia, o partido de Rui Rio não teria uma derrota tão pesada e chegaria aos 29,5%, mais 1,72% do que conseguiu ober.
Portugal do avesso, na freguesia com maior mobilização
Costuma dizer-se que quem se abstém de votar não tem legitimidade para criticar o desfecho eleitoral. E a uma freguesia em que quase 80% dos eleitores cumpriu o escrutínio, sem registo de um único voto branco ou nulo, o que se pode apontar?
Em Veiga de Lila, 199 dos 252 incritos exerceram o direito ao voto, neste domingo. A freguesia de Valpaços, distrito de Vila Real, foi exemplar e soma a menor taxa de abstenção do país.
Mas a mobilização não é sinónimo de vitória, pelo menos nesta escala. Apesar do empenho, o resultado foi uma desilusão para estes eleitores. Esta foi a freguesia que mais longe esteve de acertar os resultados nacionais.
Foi precisamente aqui que o PSD alcançou o melhor resultado, nestas legislativas, com 78% dos votos. Já o PS registou a pior prestação (11%). No final da noite, Vila Real mudou mesmo de cor e venceu o socialismo.
Açores vencem na abstenção
Se em Veiga de Lila só 20% dos recenseados falharam a presença nas urnas, em Rabo de Peixe cinco em cada seis eleitores abdicaram do direito ao voto. No pódio da abstenção seguem-se Ribeirinha (79%) e Feteiras (78%), também nos Açores.
Em Portugal continental, é no distrito de Viana do Castelo que se encontra a fregeusia mais abstencionista: Soajo, Arcos de Valdevez, com uma taxa de abstenção que chega aos 77%.
IL vence a Norte, PAN a sul, Livre em Lisboa e Chega em Sintra
Nas contas dos pequenos, que já não são tão pequenos assim, os votos tiveram uma grande dispersão regional, apesar de nem todos terem sido suficiente para garantir a eleição de deputados.
Excluindo, para propósitos analíticos, o célebre método de Hondt, que converte vatações em mandatos, é numa freguesia de Guimarães que a Iniciativa Liberal alcança a maior percentagem de votos: 9,8%. A pior prestação acontece no Alentejo, em Seda, Alter do Chão, com apenas 1%.
Já o PAN vence no Algarve, com um máximo de 5% em Barão de São Miguel, concelho de Vila do Bispo, Faro. O Livre conquistou Lisboa e soma entre 5% e 4% nas freguesias de São Vicente, Areeiro, Santo António, Misericórdia, Alvalade, Campo de Ourique e São Domingos de Benfica. O pior resultado vem dos Açores, com 1% na freguesia de Urzelina, São Jorge.
Sem grandes surpresas, o Chega soma a maior percentagem de "cruzes" em Agualva e Mira-Sintra (10%). Seguem-se Mira de Aire, em Porto de Mós, Sanfins do Douro, em Alijó, Pó, em Leiria, e Famalicão. O pior resultado foi a Norte, em Valadares e Sá (1,3%), freguesia portuguesa do município de Monção, Viana do Castelo.
Em Balhosa, o CDS já faz falta
Foi precisamente nesta freguesia de Ponte de Lima que o CDS alacançou o melhor resultado, com 43% dos votos. Já Cascais e Estoril somam o maior valor absoluto: 976 cruzes no "partido do táxi", que na última noite saiu a pé.
O CDS-PP registou o pior resultado, em 47 anos de democracia, e não conseguiu garantir a entrada de nenhum deputado na Assembleia da República. Francisco Rodrigues dos Santos já pediu a demissão da liderança do partido e atirou as culpas para as guerras internas. "Nunca tive tréguas dos meus opositores", afirmou.