Luís Aguiar-Conraria. Acusações de manipulação das sondagens "são simplesmente estúpidas"
29-01-2024 - 07:00
 • Diogo Camilo , João Pedro Quesado , Salomé Esteves

Que papel têm as sondagens? Podem informar e ajudar a tomar decisões, mas não falta quem as acuse de manipulação. Nos barómetros que anteveem as eleições, os indecisos “são muitos” e podem decidir uma eleição “para um lado ou para o outro”. Luís Aguiar-Conraria, da Universidade do Minho, explica à Renascença porque é que a incerteza é essencial à democracia, mesmo que “as sondagens falhem” muitas vezes.

Nas legislativas de 2022, nenhuma sondagem previu a maioria absoluta do Partido Socialista (PS). A explicação para a discrepância entre as projeções de todas as casas de sondagens e o resultado final das eleições é enevoada. Luís Aguiar-Conraria aposta na resposta consensual: as sondagens não tiveram “em atenção a quantidade de indecisos que havia na última semana ,e que decidiram mesmo no fim” em quem iriam votar.

Com o aproximar das eleições legislativas de 10 de março, aumenta a expectativa sobre as possíveis inclinações dos votantes indecisos, que nestas eleições “são muitos” e “em número suficiente para decidirem a eleição para um lado ou para o outro”. Quatro das cinco sondagens publicadas entre dezembro e janeiro têm percentagens de indecisos que variam entre os 12% e os 15%.

Segundo o professor de Economia, esta incerteza é um sinal positivo de uma democracia em funcionamento. “Um sistema eleitoral em que não fosse necessário ir às urnas para sabermos qual era o resultado [das eleições], era um sistema eleitoral pouco democrático”, acrescenta.

O atual presidente da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho é consultor do projeto Sondagem das Sondagens da Renascença, onde se aplica a metodologia do projeto POPSTAR (Public Opinion and Sentiment Tracking, Analysis, and Research), coordenado por Pedro Magalhães.

A Sondagem das Sondagens é um agregador de todos os estudos de opinião pública sobre eleições legislativas, “o equivalente a fazer uma sondagem com uma amostra muito maior”, que calcula a intenção de voto dos portugueses.


Há dois anos, concordava que uma sondagem era uma fotografia instantânea que nos dava uma imagem do momento em que era realizada. Mantém a mesma visão?

Concordo com o que disse, sim, mas se apenas disse isso, acho que devia ter sido mais modesto. É uma uma fotografia imperfeita, uma fotografia com uma névoa que não nos deixa ver bem.

As sondagens podem servir hoje não só para revelar tendências, mas também para ajustar as decisões de quem ainda não decidiu em quem votar?

Sim, e esse é um pormenor importante. Não só é importante como ajuda a explicar por que é que muitas vezes as sondagens falham. Portanto, a sondagem é uma fotografia do momento, tudo bem. E diz-nos - mesmo admitindo que a fotografia é bastante nítida -, que as pessoas podem depois tomar decisões com base naquela fotografia, e podem mudar as suas decisões.

No momento de uma sondagem, eu posso dizer que vou votar, por exemplo, no Bloco de Esquerda. Ao ver na sondagem que o PS está ligeiramente atrás do PSD, posso mudar a minha decisão e pensar que, afinal, é melhor votar no PS para garantir que um partido de esquerda fica em primeiro lugar. Nesse caso, a sondagem interfere com a minha decisão.

Isto quer dizer que a sondagem vai estar errada precisamente porque interferiu com a minha atitude. Vai estar errada porque não vai acertar na previsão eleitoral precisamente porque levou a uma alteração do comportamento das pessoas. E isso pode acontecer. E é muito possível que tenha acontecido há dois anos.

Nas últimas legislativas, a maioria das sondagens falhou em prever a maioria absoluta do PS. Qual diria que foi a razão para essa discrepância entre as projeções e o resultado final?

Em primeiro lugar, a resposta honesta é "não sei". Portanto, não sabemos. E não há estudos pós-eleitorais que nos permitam ter uma grande certeza sobre o que vou dizer a seguir. A explicação mais comum é aquela que me parece ser a mais consensual: as sondagens não tinham em atenção a quantidade de indecisos que havia na última semana e que decidiram mesmo no fim.

E não tenho dúvidas - aqui não é no sentido científico, é no sentido da minha opinião, é mais uma questão de fé. Não tenho dúvidas de que houve muita gente de esquerda que, no fim, com medo de que Rui Rio ganhasse, e que o Chega chegasse ao governo de alguma forma - isso era um medo que estava presente nas últimas eleições -, acabaram por votar no PS.

Portanto, isso dá ali um ‘boost’ nos últimos dias a António Costa, que lhe permitiu, depois, in extremis, chegar à maioria absoluta. Portanto, sim, é muito possível que, naquele caso, as sondagens tivessem influenciado e favorecido o PS.

Já agora, isso é uma coisa interessante. Muitas vezes fala-se das sondagens, quando a sondagem põe um determinado partido à frente e os outros partidos acusam aquela sondagem de estar a manipular, de estar comprada... Isso, muitas vezes, é um disparate. Uma coisa é dizer que elas influenciam, outra coisa é acharmos que sabemos como é que vai ser essa influência.

Nesse caso, a ser verdade o que estou a dizer, isso quer dizer que as sondagens que puseram Rui Rio à frente beneficiaram o PS, não Rui Rio.

Portanto, quando Rui Rio estava desesperado e dizia que as sondagens eram uma aldrabice porque António Costa aparecia com grande vantagem, se todas as sondagens tivessem sido assim, se calhar, no fim, a vantagem de António Costa tinha sido mais pequena. Muitas vezes essas acusações de manipulação são simplesmente estúpidas.

E que papel tem o tratamento das sondagens por parte da comunicação social e também das instituições que fazem as próprias sondagens?

Há aqui uma questão importante e que tem essencialmente a ver com a redistribuição de indecisos. Havendo muitos indecisos, 10%, 20% ou mais, a forma como tratamos esses dados vai influenciar a imagem final. E isso é complicado, porque dá uma grande margem de manobra à casa de sondagens.

Por exemplo, posso dizer que estou indeciso e a casa pergunta-me: “Mas você é de esquerda ou de direita?” E eu digo: “Sou de esquerda”. Então vou fazer a repartição, vou considerar como indeciso mas só entre os partidos de esquerda. Se disser que sou de centro, então, a casa de sondagens pode entre PS e PSD pôr 50% de hipóteses para cada lado.

Há casas de sondagens que simplesmente fazem a distribuição de indecisos proporcional, portanto, igual para todos. Há aqui uma grande margem de liberdade. Há casas que dizem que fazem outras perguntas, mas depois não fica claro qual é exatamente o método que seguem para fazer essa distribuição de indecisos. Há uma margem de liberdade. E as diferentes casas de sondagens usam critérios diferentes.

Portanto, sim, podem dar uma fotografia muito diferente com base na mesma realidade bruta, ou seja, com base nos mesmos dados, é possível que duas casas de sondagens nos deem margens diferentes e isso é um problema que nos dificulta a interpretação de sondagens.

Já agora, para este nosso trabalho, tomámos uma decisão diferente da de há dois anos, quando aceitámos a distribuição de indecisos que era feita pelas casas de sondagens. Neste caso, não vamos fazer isso. Vamos sempre fazer a redistribuição proporcional de indecisos, só para termos a certeza que aplicamos o mesmo critério em todas as casas.

Que outros elementos permitem avaliar a qualidade de uma sondagem? Se ficam ou não mais próximas da realidade...

O primeiro critério para uma boa sondagem é o tamanho da amostra. Portanto, à partida, uma sondagem feita a 1.500 pessoas tem uma margem de erro bastante menor que uma sondagem feita a 500 pessoas. Isso é claro, e não há dúvidas.

Depois, há outras questões que têm a ver com o método de seleção da amostra. Como é que se faz? É por telefone? Vamos a uma lista telefónica? Gera-se aleatoriamente um número no computador que liga às pessoas? E quem é que nos garante que esses números aleatórios não vão parar a lojas ou empresas? Usa-se apenas telefones fixos? Tudo isto são escolhas diferentes que excluem determinadas pessoas.

Por exemplo, havia uma altura em que o CDS aparecia um bocadinho mais baixo nas sondagens e depois percebeu-se que o motivo era porque as sondagens eram feitas por telefone fixo e o eleitorado do CDS tinha mais telemóvel - talvez por ser de um estrato económico-social mais elevado. E, portanto, estávamos a falhar na captação daquele eleitorado.

Mas isto é muito difícil de resolver. Por exemplo, pode-se pensar que o melhor é ir para a rua entrevistar as pessoas. Mas, se vamos simplesmente para a rua, se calhar aumentamos a probabilidade de apanhar pessoas desempregadas e pessoas reformadas, pessoas que não estão a trabalhar. Não estou a dizer que quem está na rua não está a trabalhar, mas a percentagem se calhar é maior.

E depois? E se entre os desempregados houver uma tendência mais forte para votar nos partidos de esquerda, aqueles que, à partida, são partidos mais a favor de subsídios ao desemprego? Isso vai enviesar a amostra. E se ligarmos para casa das pessoas? Vamos ligar para casa, então o que acontece? Se calhar quem está mais em casa são os reformados. Se os reformados tiverem mais tendência para votar no PS do que nos outros partidos, então o PS vai parecer sobrevalorizado nas sondagens.

Tudo isto faz com que eu tenha de dizer que é uma fotografia do momento, mas é uma fotografia baça, que não é nítida, bastante imperfeita.

Qual é o melhor método? Não é claro para mim qual é o melhor método. Eu diria que, dos métodos que vejo por aí, aquele que me levanta mais desconfianças é quando me dizem que o inquérito é feito online, porque estamos a excluir todas as pessoas que não têm acesso ao online e que não têm a literacia suficiente para responder online. E aí parece me que há um grande perigo de enviesamento da amostra, ao excluir essas pessoas.

Quanto às outras... Acho que as casas têm trabalhado. Isso é um desafio. É um desafio que se tem complicado. Há 30 anos era mais fácil do que agora. O ideal é haver muitas sondagens com muitos métodos diferentes e esperamos que errem de forma diferente para que, em média, dê certo.

Então quais são as vantagens de um agregador de sondagens?

É exatamente o que acabei de dizer. Juntamos tudo... E isso é importante. Nós agregamos as sondagens. Se as sondagens estiverem mal, o nosso agregador também vai estar mal. Há dois anos não previmos a maioria absoluta do PS. Se nenhuma sondagem o previa, não íamos ser nós que iríamos prever.

O que nós fazemos é juntar todas as sondagens. E isso dá-nos logo o equivalente a fazer uma sondagem com uma amostra muito maior.

Há outra vantagem: os enviesamentos que existem numas sondagens à partida são corrigidos por enviesamentos de sinal contrário que existam noutras.

Depois, o método que nós usamos, o filtro de Kalman, que é um método que surgiu na engenharia há algumas décadas, mas que agora as ciências sociais também usam bastante, e que nos permite avaliar as tendências ao longo do tempo. A cada momento que sai uma nova sondagem, este método compara o resultado da nova sondagem com os valores anteriores e vai decidir o que é que se passa.

Temos uma sondagem que é muito diferente das anteriores. O que é que se passa? Isto é a opinião pública que mudou - e por isso é que ela é diferente das anteriores - ou é simplesmente o erro amostral? Porque simplesmente, por mero acaso, foram entrevistadas mais pessoas de determinado partido? Portanto, há que dar aqui um peso, temos de dar mais peso a esta sondagem do que às anteriores, porque é uma sondagem mais nova, mas também não podemos dar todo o peso a esta nova sondagem - porque existe a possibilidade de ser um mero erro amostral. E este método que nós usamos permite ponderar bem essas duas situações. É isso que torna este método tão bom e por isso é muito usado por vários agregadores.

Sabemos que as crianças não votam, mas como explicaria a uma criança como funciona o filtro de Kalman?

Podemos usar a imagem dos GPS. O filtro de Kalman é muito usado em software de GPS.

Nós temos uma realidade, que é o sítio onde estamos, a nossa localização, que no caso das sondagens é “qual é a verdadeira tendência de voto?”. Isso é a realidade. Mas não conhecemos a realidade, apenas observamos um sinal - o sinal de GPS – que, no nosso caso eleitoral, são as sondagens. São um sinal imperfeito de uma realidade que nós queremos estimar.

Ora, imaginemos que estamos num carro e que vamos ao longo da estrada, e, de repente, há um sinal que nos diz que não estamos na estrada, mas estamos a 30 metros ao lado, na berma... Quer dizer, há duas hipóteses: ou nos estampámos, ou o sinal está errado. Portanto, o próprio filtro vai analisar a informação e vai avaliar as tendências - vai ver se já estávamos a desviar-nos e, se calhar, estávamos a estamparmo-nos, ou se simplesmente estávamos a andar muito direitinho e, de repente, apareceu um sinal a dizer que estamos 30 metros ao lado.

Nesse caso, à partida, é um mero erro. Aí dá-se pouco peso a este novo sinal, ou esta nova sondagem que dá, por exemplo, um partido com uma votação muito diferente das sondagens anteriores.

Depois, claro, se existir um segundo sinal que nos volte a pôr 30 metros ao lado, aí o GPS convence-se de que nos estampámos mesmo. Fomos mesmo contra uma árvore e, à segunda vez, já muda a sua perspetiva.

Quando há apenas uma sondagem que é muito diferente das outras, não lhe dá grande peso. A partir do momento em que há mais do que uma, em que há ali uma consistência, então o valor que é previsto pela nossa técnica começa a ajustar-se rapidamente.

A Sondagem das Sondagens não tem em conta o sistema eleitoral, o Método de Hondt, nem os círculos eleitorais. Porquê?

Porque as sondagens também não o fazem. Há muitas sondagens que são feitas a 500 ou 600 pessoas. Se fizéssemos isso por distritos, haveria distritos que tinham 40 ou 50 entrevistados. Alguns menos. Era impossível, a partir de uma amostra tão pequena, fazer extrapolações. Portanto, as sondagens são feitas a nível nacional e temos de trabalhar com isso.

Com as mudanças no panorama político, com a demissão de António Costa e a eleição de Pedro Nuno Santos como líder do PS, como devemos olhar para as sondagens publicadas até ao final do ano passado?

Como fotografias daquele momento, mas como péssimos preditores do resultado das eleições. Não vale a pena pensarmos que uma sondagem que foi feita antes sequer de sabermos quem era o líder do PS é relevante para saber o apoio o PS vai ter a 10 de março. Portanto, diria mesmo para as esquecermos.

Olhem para o nosso filtro. O nosso filtro combina a informação passada de forma ótima. Em cada momento, o melhor preditor disponível no mercado dos média portugueses para dizer qual é a tendência de voto será o valor que estiver no nosso site.

Para estas legislativas temos também uma coligação entre PSD, CDS e PPM. É correto comparar os resultados da Aliança Democrática com a soma dos seus partidos nas sondagens anteriores?

Não. Não é correto porque é perfeitamente admissível que haja pessoas que estivessem disponíveis para votar no PSD, por exemplo, e que não estejam disponíveis para votar num partido que inclua o PPM, talvez por serem republicanos convictos e não quererem nada com monárquicos. E, portanto, aquele raciocínio que se faz muitas vezes, que basta haver uma coligação para que os votos se somem - e que o método de Hondt favorece a coligação - é um raciocínio demasiado básico e que não está correto.

Agora, a verdade é que, enquanto aproximação imperfeita, será o melhor que temos. Será o melhor que temos. Se eu quisesse saber quais seriam as perspetivas da AD em, sei lá, a 2 de janeiro, se calhar o melhor que podíamos fazer era somar os três partidos. Agora, o facto de ser o melhor que conseguimos fazer não quer dizer que seja bom, porque são coisas diferentes.

Com estas conversas no PS e também à direita, qual é a importância dos indecisos nestas eleições?

Nestas eleições, os indecisos são muitos. Pelo menos é o que as sondagens, algumas sondagens, têm mostrado. Nós temos uma dificuldade técnica, porque claramente as casas de sondagens estão a contar de forma diferente os indecisos. E há casas de sondagens que apresentam estimativas para indecisos de 7%, 8% e outras de 20%. Isso não é compatível, não é amostral. Portanto, estão a contabilizar de forma diferente os indecisos.

Já agora, é por isso que nós não modelizamos explicitamente os indecisos, o que teria sido a nossa opção preferencial. Mas, infelizmente, não o podemos fazer.

Agora, os indecisos são importantes e não sabemos como é que eles se vão comportar. Essa é a questão essencial e que vimos há dois anos, não é? E os indecisos são em número suficiente para decidirem uma eleição para um lado ou para o outro. Mas isso é bom. Portanto, aquele chavão de dizer que uma sondagem é só uma sondagem e que as sondagens não votam, e que a melhor sondagem é o resultado nas urnas, está correto. E acho que isso é bom.

Os indecisos são importantes e nós não sabemos como é que se vão comportar.

E se tivermos consciência disso, de que os indecisos são tantos que as sondagens, enquanto método de previsão, são muito imperfeitas, pode ser que nos deixemos influenciar menos pelas sondagens, o que me parece que seria saudável. Usá-las como fonte de informação, mas não de manipulação.

E com esta novidade da distribuição dos indecisos para todas as casas de sondagens, tem confiança de que o modelo de projeção fique mais próximo do resultado final nas eleições de 10 de março?

Não. Apenas quis ser consistente e só quero ser consistente. Basicamente, ao fazermos a redistribuição de indecisos que estamos a fazer, o pressuposto base é que os indecisos se comportam mais ou menos da mesma forma que as pessoas que declaram a sua intenção de voto.

Ora, quase por definição, esse pressuposto está errado. Simplesmente, é o melhor que nós temos: já que não sabemos como é que se vão comportar, mais vale termos um pressuposto que seja claro e igual para todos.

Agora, é evidente que, se no fim, a maioria dos indecisos estiver entre o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP e depois, em bloco, decidirem votar num destes partidos, a nossa Sondagem das Sondagens vai subestimar esses indecisos, ou vice-versa.

Se houver um grande conjunto de pessoas indecisas entre votar no Chega e no PSD, por exemplo, e se, no fim, esses indecisos se mobilizarem para fazer voto útil no PSD, então a nossa Sondagem das Sondagens vai subestimar o PSD. Mas isso acontece com as outras casas também. Não há volta a dar. Qualquer que seja o método que usem para agregar os indecisos ou para fazer a distribuição de indecisos, vão ter o mesmo problema.

Portanto, não há muito a fazer. Mas isso é bom: volto a insistir, é bom que haja incerteza. Um sistema eleitoral em que não fosse necessário ir às urnas para sabermos qual era o seu resultado, era um sistema eleitoral pouco democrático.