Covid-19: Verdes defendem que Portugal deve deixar de "estar preso" à UE nas vacinas
09-02-2021 - 19:07
 • Lusa

Deputada Mariana Silva alerta para dificuldades de financiamento das pequenas e médias empresas e as dificuldades para prevenir a saúde mental.

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O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) defendeu hoje que o Governo deveria negociar vacinas com "outros fornecedores", estranhando que o executivo "esteja preso" ao compromisso nesta área com a União Europeia.

A deputada Mariana Silva falava aos jornalistas no parlamento no final da audiência com o Presidente da República, que decorreu por videoconferência, e depois de ter assistido, hoje de manhã, à reunião com os epidemiologistas no Infarmed.

"Ouvimos por parte dos técnicos que vamos atingir os objetivos do plano de vacinação se as vacinas chegarem atempadamente, mas para isso é preciso ter vacinas. Preocupa-nos este atraso e, da parte dos Verdes, não percebemos porque é que o Governo português deixa de estar preso a este compromisso com a União Europeia e avança para outros fornecedores", defendeu, sem especificar a quais se referia em concreto.

Questionada se o partido irá manter o voto contra a provável renovação do estado de emergência, a deputada do PEV respondeu afirmativamente.

"Sim, vamos manter até com outra preocupação, o desconfinamento que, depois de tantas declarações de estado de emergência, pode ser entendido como um momento de relaxamento e voltarmos a subir os números", afirmou.

Questionada sobre a possibilidade admitida pelo Governo de o confinamento se prolongar até final de março, Mariana Silva respondeu que, na mesma reunião do Infarmed, "um dos técnicos disse que bastaria até final de fevereiro".

"Estes quinze dias podem ser essenciais para se perceber de que forma podemos continuar a fazer a vida mais ou menos normal", considerou.

A deputada disse ainda ter transmitido ao Presidente da República duas preocupações específicas relacionadas com o confinamento: as dificuldades de financiamento das Pequenas e Médias Empresas, que representam 90% do tecido empresarial português, e as dificuldades para prevenir a saúde mental, que considerou serem "transversais" em todas as camadas da população.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.325.744 mortos no mundo, resultantes de mais de 106,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 14.557 pessoas dos 770.502 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.