Sem maioria: procuram-se soluções para desatar o nó político na Madeira
24-05-2024 - 20:00
 • Tomás Anjinho Chagas, enviado da Renascença à Madeira

Última (micro) legislatura contou com acordo entre PSD e PAN. Esquerda tenta geringonça para derrubar Miguel Albuquerque e tirar do poder o PSD – que não afasta o Chega da equação.

Os ponteiros do relógio apertam o calendário e os olhares viram-se para a máquina de calcular. As sondagens assim o exigem: ao que tudo aponta, nenhum partido vai conseguir maioria absoluta nas eleições regionais da Madeira.

24 é o número mágico, o número de deputados necessários para formar uma maioria no parlamento regional madeirense. Não sendo possível um partido conquistar esses lugares sozinho, é preciso somar com outras forças políticas.

Miguel Albuquerque, presidente do governo regional, procura vencer mais uma vez as eleições, mas também assume que uma maioria absoluta será difícil. Em entrevista à Renascença, o líder do PSD/Madeira admite acordos com o Chega e revela que já conversou com o partido de André Ventura sobre isso.

O PS insiste numa geringonça regional, como resposta para finalmente acabar com a hegemonia do PSD na Madeira. “Tenho experiência em geringonças”, piscou o olho Paulo Cafôfo referindo-se à sua experiência enquanto autarca no Funchal.

Chega rejeita Albuquerque

O Chega faz-se difícil. Nas últimas semanas, o partido tem garantido que não faz acordos com Miguel Albuquerque por causa da investigação em curso sobre o líder do PSD/Madeira.

“Não compactuamos com coisas mal explicadas e Albuquerque tem muitas”, resumiu André Ventura no derradeiro dia de campanha.

CDS só disponível no Parlamento e à direita. IL de porta fechada

O CDS – que desta vez vai sozinho a votos – promete que não vai fazer acordos de governo e só admite acordos de incidência de parlamentar. Só com a direita: “O Partido Socialista não é alternativa na Madeira, a questão não se põe”, sublinha José Manuel Rodrigues. E se houver maioria de esquerda? “Se houver, não precisam do CDS para nada”.

A Iniciativa Liberal é clara: “Não é não”, repete Nuno Morna, citando a expressão celebrizada por Luís Montenegro (PSD) para vetar qualquer acordo com o Chega. Para os liberais, a rejeição aplica-se ao PS e ao PSD.

JPP só vira à esquerda

O JPP – partido que tem cinco deputados e pode fazer a diferença nas contas – veta um acordo com o PSD: “Nós não fazemos acordo com o PSD e com Miguel Albuquerque". Élvio Sousa atira ainda aos restantes partidos por serem "todos iguais", mas a esses não fecha a porta.

PCP evita conversa, Bloco admite geringonça

Os comunistas fazem na Madeira o que costumam fazer sempre: focar-se nas políticas e evitar falar sobre coligações.

Mariana Mortágua, coordenadora do Bloco de Esquerda veio até à ilha nos últimos dias de campanha e abriu a via do diálogo com o PS. “É possível haver uma mudança política na Madeira e o Bloco faz parte dessa alternativa”, declarou.

Com mais ou menos exigências, os partidos preparam-se para ceder e sentar-se à mesa das negociações depois das eleições de domingo que, ao que tudo indica, não vão entregar uma maioria absoluta a partido nenhum.