Covid-19. Portugal, Holanda e Espanha com maior excesso de mortalidade no início do mês
15-02-2021 - 18:35
 • Lusa

Relatório de avaliação de risco do Centro Europeu de Prevenção (ECDC) revela que Portugal, Holanda e Espanha tinham um “substancial excesso de mortalidade, enquanto noutros países os níveis de mortalidade eram normais” no início de fevereiro. Quanto a novos casos reportados, o ECDC indica que o número “tem vindo a diminuir há três semanas” na UE.

Veja também:


Portugal, juntamente com Holanda e Espanha, era um dos países europeus que, no início de fevereiro, tinha “substancial excesso de mortalidade” relacionado com a pandemia de Covid-19, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).

Num relatório de avaliação de risco hoje divulgado, o ECDC aponta que, na semana de 1 a 7 de fevereiro, Estados-membros da União Europeia (UE) como Portugal, Holanda e Espanha tinham um “substancial excesso de mortalidade, enquanto noutros países os níveis de mortalidade eram normais”.

Tendo por base as estatísticas da rede de colaboração EuroMOMO, que está a monitorizar e a medir a mortalidade na UE relacionada com a Covid-19, o ECDC observa no relatório que este aumento do excesso de mortalidade afetou “principalmente pessoas com 45 anos de idade ou mais”.

Num capítulo dedicado às tendências na notificação de casos, testes, internamentos e mortalidade, a agência europeia de saúde pública observa ainda assim que o número de novos casos de Covid-19 “tem vindo a diminuir há três semanas” na UE/EEE.

A 07 de fevereiro, Portugal não constava do grupo de países com maior aumento da taxa de notificação de casos de 14 dias (que era antes composto por Bulgária, República Checa, Estónia, Grécia, Hungria, Letónia, Luxemburgo, e Eslováquia) nem do grupo de países com taxas de positividade de teste crescentes (constituído por Bulgária, Estónia, e Polónia).

Já o grupo de países com taxas de mortalidade crescentes era, nessa data, só formado por Eslováquia e Espanha.

Apesar das melhorias face à anterior avaliação de risco, o ECDC alerta no relatório que a “pressão sobre os sistemas de saúde permanece elevada”, aconselhando à manutenção das restrições na Europa.

Num quadro explicativo no relatório sobre as medidas que, a 9 de fevereiro, estavam em vigor relacionadas com viagens internacionais e encerramento de instituições de ensino, Portugal era dos países da UE/EEE com mais limitações, isto tendo por base os dados recolhidos pelo ECDC em conjunto com o serviço científico da Comissão Europeia.

No que toca às viagens internacionais e à semelhança do quase todos os restantes países europeus, Portugal obrigava à apresentação de um teste negativo à Covid-19 na entrada no país, podendo aplicar outras medidas como quarentena obrigatória.

Já relativamente ao encerramento de instituições escolares, Portugal era o único país da UE/EEE que, nesse quadro explicativo, tinha todos os estabelecimentos fechados, independentemente do nível de ensino (creches, escolas primárias, secundárias e universidades).

Ainda assim, o ECDC ressalva que alguns países têm optado por sistemas híbridos (presenciais e ‘online’), enquanto outros têm feito encerramentos de escolas de forma parcial ou regional.

Neste relatório, o centro europeu alude ainda à campanha de vacinação em curso na UE, desde dezembro passado, alertando que “eventuais atrasos na aquisição, distribuição e administração de vacinas também podem atrasar a opção de aliviar as intervenções não-farmacêuticas [medidas restritivas]”.

“A rápida distribuição de vacinas entre grupos prioritários é necessária para reduzir as hospitalizações, admissões nas unidades de cuidados intensivos e mortes devido à Covid-19”, conclui o ECDC no documento.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.400.543 mortos no mundo, resultantes de mais de 108,7 milhões de casos de infeção.

Em Portugal, morreram 15.411 pessoas dos 787.059 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.