Existência de armas nucleares alimenta lógica de medo, diz Papa Francisco
10-11-2017 - 12:45

Numa declaração conjunta, vários prémios Nobel da Paz agradeceram ao Papa a iniciativa de organizar esta conferência e apelaram à abolição destas armas de destruição maciça.

O Papa Francisco afirmou esta sexta-feira que a mera existência de armas nucleares alimenta uma lógica de medo.

Num discurso proferido durante o congresso “Perspectivas para um mundo livre de armas nucleares e por um desarmamento integral”, Francisco disse aos participantes que as relações internacionais não devem ser pautadas pelas manifestações de força.

“Não podemos deixar de nos inquietar ao considerarmos as catastróficas consequências humanitárias e ambientais que derivam de todo o tipo de dispositivos nucleares.”

“Portanto, considerando ainda o risco da detonação acidental destas armas, por um erro qualquer, é de condenar com firmeza a ameaça da sua utilização, bem como da sua posse, porque a sua existência alimenta uma lógica de medo que não ligada apenas às partes em conflito, mas a todo o género humano”, disse o Papa.

“As relações internacionais não podem ser dominadas pela força militar, por intimidações recíprocas, nem pela ostentação de materiais bélicos.”

Durante a conferência foi ainda apresentada uma declaração conjunta assinada por cinco vencedores do prémio Nobel da Paz.

Mohamed El Baradei, Mairead Maguire, Adolfo Pérez Esquivel, Jody Williams e Mumammad Yunus agradeceram ao Papa a organização desta conferência no Vaticano e dizem acredita que a “a única forma de garantir uma paz sustentável mundial e de evitar a proliferação de armas nucleares e o seu eventual uso, é de as abolir.”

“Ao mesmo tempo devemos construir um sistema de segurança internacional inclusivo e equitativo em que nenhum país sinta a necessidade de depender das armas nucleares”, dizem ainda.

Os recursos necessários para o cumprimento deste objectivo ficariam disponíveis com o desarmamento. “Com desarmamento integral as possibilidades são ilimitadas”, escrevem os cinco signatários.