Ana Abrunhosa: "Temos de levar muito a sério a reivindicação dos polícias"
04-03-2024 - 21:21
 • Susana Madureira Martins

As forças de segurança mostraram cartão vermelho a Pedro Nuno Santos na habitual arruada na rua Ferreira Borges, em Coimbra. A cabeça de lista do PS pelo distrito e ministra da Coesão Territorial falou brevemente com a Renascença para alertar que é “mesmo” preciso “ouvir” os protestos dos polícias.

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Ana Abrunhosa lamenta, em entrevista à Renascença, que se fale pouco de regionalização na campanha eleitoral, sobretudo do lado da AD. ”Isso significa que vamos voltar a ter o país mais centralista”, afirma a cabeça de lista do PS pelo distrito de Coimbra e ministra da Coesão Territorial.

Quanto ao seu próprio futuro político e se conta voltar a ser chamada para um eventual Governo do PS, Ana Abrunhosa esconde o jogo e diz-se concentrada na campanha “até dia 8”.

Levou a peito aquele cartão vermelho no protesto dos polícias?

Nós temos de levar muito a sério esta reivindicação dos polícias. Foi um protesto respeitoso. O cartão vermelho é para o estado dos nossos polícias e, portanto, nós temos mesmo de ouvir, que sentar à mesa das negociações e será uma responsabilidade do próximo Governo. Uma coisa é certa, não pode haver discriminação entre polícias e é isso que significa o cartão vermelho. Já me sentei à mesa com alguns deles, já os encontrei também durante a campanha e, portanto, fizeram uma manifestação com respeito a nós passámos também com o maior dos respeitos e estão no seu direito.

É ministra da Coesão Territorial. Sobre regionalização tem-se ouvido falar pouco nesta campanha.

Tem-se ouvido pouco do lado do PSD, a realidade é que se se lermos o programa do governo não aparece uma única vez a palavra regionalização e por isso, isso significa que vamos voltar a ter o país mais centralista. Não se fala uma única vez de CCDR, que são as entidades que no território gerem fundos europeus e são responsáveis pelo desenvolvimento regional.

Eu creio que isso também surpreendeu muitos dos nossos autarcas, inclusive sociais-democratas. Fizemos a descentralização, queremos fazer a regionalização, queremos um país menos centralista, nem todos podemos viver e trabalhar em Lisboa e não queremos que as decisões sejam todas tomadas em Lisboa. Quando eu falo Lisboa, naturalmente, falo pelos ministros.

Só com um país mais descentralizado, só com a regionalização é que nós seremos um país mais coeso, porque isso significa que entregamos aos diferentes níveis da Administração Pública a decisão para resolver os problemas.

Acha que é possível uma maioria para o PS nesta viragem para a segunda semana de campanha?

Apelo ao voto no Partido Socialista e espero que os portugueses deem uma vitória ao Partido Socialista, porque estou absolutamente convencida que Pedro Nuno Santos é o primeiro-ministro que o nosso país precisa. Defende a economia, mas defende uma economia de mercado com um Estado social forte, com conta certas. Ora isso, a direita disse sempre que não era possível e nós mostrámos que é possível. E é isso que Pedro Nuno Santos quer continuar a fazer, com mais vigor, à sua maneira. Afinal é diferente de António Costa.

Está disponível para continuar num futuro eventual governo do PS?

Estou disponível para, até ao dia 8, fazer campanha com toda a paixão, com toda a emoção, com todas as forças, porque acredito que Pedro Nuno Santos será o melhor primeiro-ministro para o nosso país.