Emissão Renascença | Ouvir Online
A+ / A-

Abertura do Time Out Market Porto prevista entre "novembro e dezembro"

11 ago, 2023 - 17:51 • Redação com Lusa

A intervenção, cujas obras avançaram em março, implica a recuperação do edifício existente, anteriormente utilizado como zona de apoio à estação de São Bento, assim como o espaço exterior.

A+ / A-

A abertura do Time Out Market Porto em São Bento, cujas obras arrancaram em março, deverá acontecer "entre novembro e dezembro", num investimento de 7,5 milhões de euros que inclui uma torre de 21 metros considerada "intrusiva" pela Unesco.

"Estamos em obra já há alguns meses, a intenção é que [a abertura] seja entre novembro e dezembro, embora ainda não seja possível adiantar um dia exato" adiantou a vice-presidente para a Península Ibérica Ana Alcobia, em declarações à agência Lusa.

Ana Alcobia explica que, a abertura do espaço durante a época baixa do turismo permite à Time Out cumprir o objetivo de manter o foco do projeto no público local, dando-lhe oportunidade de conhecer "a pequena amostra daquilo que a cidade do Porto tem de melhor".

O projeto da autoria do arquiteto Eduardo Souto Moura, prémio Pritzker de arquitetura em 2011, ocupará uma área de cerca de dois mil metros quadrados, num total de 14 restaurantes, – entre eles espaços dos conhecidos chefs Rui Paula e Vasco Coelho Santos. A lista de projectos já confirmados inclui ainda o Fava Tonka, um dos vegetarianos mais reputados da cidade, os hambúrgueres do Curb, e a Casa Inês, o espaço de Inês Diniz, do clássico Casa Aleixo.

“Estamos muito orgulhosos por receber o Time Out Market, um conceito que valoriza e celebra o melhor do Porto, o talento e a criatividade local", descreve Inês Santos Almeida, directora-geral do Time Out Market Porto, também em comunicado.

A intervenção, cujas obras avançaram em março, implica a recuperação do edifício existente, anteriormente utilizado como zona de apoio à estação, assim como o espaço exterior.

Construída ao lado do edifício principal, a torre de 21 metros, em ferro e vidro, "inspirada nos antigos reservatórios de água que existiam junto às linhas de comboio" é, salienta Ana Alcobia, "a grande peça central e fundamental" do projeto que, no respeito pela DNA do edifício, acaba por ser "uma renovação".

A responsável disse ainda não temer o regresso da contestação em torno da construção da torre, mostrando-se confiante que "instalação" de Souto Moura irá ser entendida como "uma peça de arte".

Aquando do seu anúncio, em 2016, o projeto foi alvo de críticas, tendo o seu promotor, em 2017, ano para o qual estava pensada a sua abertura, decido suspender a apreciação do Pedido de Informação Prévia (PIP) relativo ao mercado que pretendiam instalar na Estação de S. Bento, depois de críticas do, à data, vereador do Urbanismo, Rui Losa, que apelidou de "inqualificável" a proposta da Time Out para a estação, classificada como monumento nacional.

À data, João Cepeda, responsável pela expansão do projeto que nasceu no Mercado da Ribeira, em Lisboa, sublinhou que a suspensão era "uma pausa" no processo e não uma desistência.

Envolto em polémica desde então, o projeto viria a ser aprovado, em maio 2019, pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), apesar das críticas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO para o património, que recomendou que o projeto não fosse aceite.

Num primeiro parecer, de 2 de abril de 2018, o ICOMOS defendia que o projeto era um "exemplo de demolição excessiva" e "fachadismo" e não tinha "em conta as recomendações internacionais em matéria de intervenção sobre património construído".

Sobre a torre de 21 metros, considerava que "não teria impacto visual no meio envolvente", uma vez que, "na sua cota máxima, não ultrapassa a cota da gare", posição que viria a alterar após informações adicionais, recomendando a sua redução.

Em janeiro de 2021, o projeto surgiu como uma das 14 obras ou projetos que punham em risco o valor patrimonial do Centro Histórico do Porto classificado como património mundial desde 1996, incluído no mais recente Relatório Mundial sobre Monumentos e Sítios em Perigo.

Após a aprovação DGPC e da Câmara do Porto, em 2019, o início das obras para a instalação do Time Out Market sofreu, contudo, vários reveses, com o presidente da Time Out Market, João Cepeda, em declarações à Lusa em janeiro de 2022, a escusar-se a antecipar o seu avanço no terreno, depois das anteriores previsões terem falhado.

Até ao final deste ano, espera-se a abertura do Time Out Market na Cidade do Cabo, na África do Sul e, em 2024, deverá chegar o terceiro espaço na Península Ibérica, desta vez em Barcelona.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+