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Exposição

É "uma casa, não é um museu”, mas mostra 48 obras de 15 artistas nacionais

05 out, 2022 - 09:00 • Maria João Costa

A residência oficial do Primeiro-ministro abre, no Dia da Implantação da República, a sexta edição da Arte em São Bento. Até setembro de 2023, no primeiro domingo de cada mês, a entrada é gratuita para visitar a exposição que revela a coleção privada de Pedro Álvares Ribeiro.

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Na sala de jantar, numa parede em tom creme, com mais de 5 metros de comprimento está suspensa uma singela maça vermelha. A peça “Maça”, criada em 2018 pelo artista plástico Francisco Tropa é a mais recente de um conjunto de 48 expostas na residência oficial do Primeiro-ministro, no âmbito da sexta edição da Arte em São Bento.

Até setembro de 2023, a exposição dá a conhecer a coleção Peter Meeker, criada em 1980, pertencente ao colecionador privado Pedro Álvares Ribeiro, presidente da Casa São Roque, no Porto e do conselho de administração da Fundação Cupertino de Miranda.

Com curadoria de João Silvério, a exposição reúne obras de 15 artistas portugueses que mostram trabalhos criados nos últimos 40 anos. Na visita à imprensa o curador explicou que a exposição cuja obra mais antiga é uma fotografia de Paulo Nozolino de 1979, dá a conhecer “uma perspetiva histórica”.

Mostra “a arte em Portugal, depois da Revolução, quando a sociedade começa a estabilizar e a criação artística começa a ter mais oportunidade e dificuldades, como ainda tem hoje”, aponta Silvério.

“A curadoria teve como foco principal olhar para os artistas que são centrais na prática do colecionador, mas também nas cumplicidades e proximidade com os artistas, de visitas a ateliers que o colecionador sempre foi fazendo”, explica o curador que assume que cada peça exposta entra também em diálogo com a sala onde está. Um processo “desafiante”, diz Silvério.

Há artistas como Ana Jotta, Jorge Molder ou José Pedro Croft que reúnem um maior número de obras expostas. Essa concentração prende-se com o número de obras que o colecionador detém. “Em alguns casos acompanhou 30 anos do percurso do artista”, explica João Silvério sobre a relação entre os criadores e o colecionador.

A coleção Peter Meeker tem caráter internacional, mas no palacete estão apenas obras de artistas portugueses devido ao âmbito da iniciativa Arte em São Bento que pretende promover a arte contemporânea nacional.

Questionado pela Renascença sobre a forma como escolheu cada uma das peças para cada um dos espaços, João Silvério indica que tentou “estabelecer um certo tipo de relações”. Lembrando que a Residência Oficial “é uma casa” e que “não é um museu”, Silvério explica que o facto de haver pessoas que trabalham naquele espaço interferiu na escolha dos espaços e das obras. “Não estamos num espaço ‘White Cube’”, conclui o curador.

Percorrendo as salas do palacete há obras que quase podem passar despercebidas. É o caso de algumas peças da artista Ana Jotta. Uma delas é uma pedra em bronze polido que segura uma porta, de uma pequena sala de reuniões, criada em 2017 que está colocada no chão e que ao visitante mais distraído pode passar despercebida.

De resto, Ana Jotta, uma das artistas mais representadas na Arte em São Bento tem também uma peça na sala onde o primeiro-ministro faz as suas reuniões. “‘Luz’ é uma construção mais vernacular, lança um ponto de luz na sala”, explica João Silvério. A peça tem dois cabos de vassoura com duas lâmpadas em cima. Questionado sobre o sentido político da peça, Silvério foge à questão, dizendo apenas que “tudo é sujeito à interpretação, e a interpretação é sempre poética”.

Na exposição que abre ao público dia 5, com um concerto às 14h30 do pianista Luís Costa no jardim do Palacete de São Bento, estão também obras de artistas como Pedro Portugal, Augusto Alves da Silva, Pedro Calapez, Rui Sanches, Gerardo Burmester, entre outros.

A residência oficial estará aberta ao público até às sete, com entrada livre. Até setembro de 2023, a Arte em São Bento poderá ser visitada no primeiro domingo de cada mês.

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