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As reações à morte de Eunice Muñoz

15 abr, 2022 - 11:28 • Diogo Camilo com Redação

Atriz incontornável dos teatros portugueses faleceu esta sexta-feira, aos 93 anos, depois de mais de 80 de carreira. Governo tenciona decretar luto nacional no dia do funeral.

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Eunice Muñoz morreu esta sexta-feira, aos 93 anos, e são muitas as homenagens que figuras das artes e do teatro, mas também da política, que prestam homenagem à atriz que havia completado em novembro 80 anos de carreira.

Ruy de Carvalho, ator e seu amigo de longa data, partilhou nas redes sociais um vídeo da "última vez que dançaram juntos". "Minha irmã, minha amiga, partiste sem me despedir. Tu serás eterna", escreveu.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, prestou "emocionada homenagem" à atriz Eunice Muñoz e agradeceu-lhe "décadas inesquecíveis", em nome de todos os portugueses, lamentando a sua morte com profunda consternação. "É profundamente consternado que tomo conhecimento da morte de Eunice Muñoz, uma referência nacional, admirada e respeitada por todos os portugueses", declarou o chefe de Estado à agência Lusa. "Em seu nome, presto-lhe uma emocionada homenagem e agradeço décadas inesquecíveis da vida de todos nós", acrescentou.

Diogo Infante, diretor artístico do Teatro da Trindade, deixou uma publicação no Instagram em que lamenta não ter falado com a atriz nos últimos dias, considerando-a "a maior atriz portuguesa de todos os tempos" e acrescentando que o seu lugar "está reservado nos anais da história".

Pedro Penim, diretor artístico do Teatro Nacional D.Maria II, onde Eunice Muñoz se estreou, refere que se perdeu uma figura da história de Portugal e confessa que lhe veio uma imagem à cabeça, quando soube da morte da atriz.

"Lembrei-me de um espetáculo que vi no teatro Aberto em que a Eunice dava voz a uma coluna de cenografia no centro do palco… e como essa imagem para mim foi tão marcante e se colou à imagem que tenho dela: essa ideia de centralidade, de sustentação, de suporte, de coluna vertebral do que é o teatro português".

A estreia de Eunice nos teatros foi a 28 de novembro de 1941, na peça "Vendaval", de Virgínia Vitorino, com a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro, que aí se encontrava sediada.

Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, descreve Eunice Muñoz como uma "excecional atriz a quem todos muito devemos" e que "marcou a identidade cultural portuguesa ao longo de 80 anos dedicados ao teatro e à cultura".

"Nos 80 anos da sua longa vida dedicados à representação, Eunice Muñoz foi a expressão de como um talento prodigioso pode estar aliado à maior simplicidade como ser humano numa dádiva constante ao teatro e à cultura portuguesa", indica em comunicado da Câmara Municipal de Lisboa.

António Costa, primeiro-ministro, aponta que Eunice Muñoz "marcou de forma definitiva o teatro português, trabalhando com os mais importantes encenadores e companhias, sem nunca deixar de se renovar, de se reinventar, de conquistar gerações sucessivas". Segundo o governante, a “comunhão com o público foi uma constante ao longo da sua carreira, crente de que o teatro só faz sentido se for feito em função dos outros”.

Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República, considerou que Eunice Muñoz foi "a inigualável senhora dos palcos portugueses", defendendo que sem ela a cultura teria sido mais pobre.

"Deixou-nos há pouco Eunice Muñoz, a inigualável senhora dos palcos portugueses. Sem ela, a nossa cultura teria sido mais pobre. Honremos a sua memória, continuando a celebrar o teatro", escreveu, numa mensagem que publicou na sua conta na rede social Twitter.

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, lembrou a carreira de Eunice Muñoz. "Os votos que eu faço é que o seu trabalho, a sua carreira e o que nos deixou seja lembrado e seja vivido", referiu.

"Queria transmitir os meus sentimentos à família e amigos de Eunice Muñoz que foi uma atriz extraordinária e inigualável com uma carreira absolutamente brilhante e que se foi reinventando ao longo de 80 anos", afirmou Catarina Martins aos jornalistas, à margem da apresentação do programa do Desobedoc 2022 - Mostra de Cinema Insubmisso, no Porto.

João Mota, ator e encenador, lembrou Eunice Muñoz como "uma luz", uma "pessoa genial como há poucas no mundo" e salientou que a morte da atriz "não é só uma perda para a Cultura".

"Morreu a Eunice. Pronto. A importância grande é que perdemos a Eunice. Vai além da cultura. A gente vê só o lado de atriz, mas além do talento que aquela mulher tinha é a ternura, a alma que ela tinha", disse à Lusa. "Ela entrava em cena e era de uma autenticidade e de uma transparência que ultrapassava tudo. Ela estava calada durante 10 minutos e a gente não conseguia atirar os olhos dela, ela não fazia caretas, nada. Eram só os olhos", descreveu.

Rui Rio, presidente do PSD, enalteceu a atriz como “um dos principais símbolos do teatro português”. “A minha homenagem a um dos principais símbolos do teatro português e uma mulher que eu muito admirava e cuja memória para sempre guardarei com o mais genuíno respeito”, escreveu o social-democrata, na rede social Twitter.

Filipe La Féria, encenador, destacou que Eunice entregou "o seu instinto genial" e "incomparável talento" a atores e público, levando assim, com ela, "muito da nossa vida". "Hoje o pano de boca do Teatro desceu e as luzes apagaram-se. Fedra, Sarah Bernhardt, a Mãe Coragem, a Dama das Camélias agradeceram os aplausos e desapareceram no labirinto dos corredores dos camarins", escreveu, enumerando algumas das suas mais importantes personagens, interpretadas em 80 anos de carreira.

Em representação do CDS, Diogo Moura, vice-presidente do partido e vereador da Câmara Municipal de Lisboa, destacou o “profissionalismo e paixão” de Eunice Muñoz, considerando que terá “sempre um papel fundamental na história e vida cultural portuguesas”. “O CDS realça o caráter, o profissionalismo e paixão com que agarrava as personagens que abraçou e a generosidade e simplicidade na relação com os outros e com os colegas”, refere.

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