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Patricia Marques prepara segundo policial em inglês situado em Portugal

08 dez, 2021 - 16:09 • Lusa

"Cativante e original, brilha com frescura", elogiou o "The Daily Mail", enquanto que no "The Guardian" foi adjetivado como "intrigante" e considerado "uma boa história de detetives".

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Patricia Marques vai publicar em 2022 um segundo romance policial com personagens portuguesas e cuja ação decorre em Portugal, país onde nasceu, apesar de ter crescido no Reino Unido e escrever em língua inglesa. .

A publicação está prevista para maio, depois de um primeiro volume, "The Colours of Death" [As Cores da Morte] lançado em junho deste ano e bem recebido pela imprensa britânica.

"Cativante e original, brilha com frescura", elogiou o "The Daily Mail", enquanto que no "The Guardian" foi adjetivado como "intrigante" e considerado "uma boa história de detetives".

Os dois livros fazem parte de uma série protagonizada pela inspetora Isabel Reis, uma investigadora com dons sobrenaturais de telepatia e telecinesia que vive e trabalha em Lisboa.

O estilo é uma mistura de policial e ficção científica, já que o mundo que descreve é parcialmente fantástico, onde as pessoas estão divididas entre as normais e as "sobredotadas" que conseguem ler os pensamentos e mover objetos com a mente.

Inicialmente, a história não era situada em Portugal, contou à agência Lusa, mas o resultado do referendo do "Brexit" em 2016 e a nostalgia que sentiu nas visitas posteriores à família fê-la mudar o cenário.

"Eu sei que é de onde eu sou, mas eu não sabia que ia escrever assim sobre Portugal. Adorei mesmo. Tenho muito carinho pelas personagens e por aqueles lugares onde sempre fui. Na minha imaginação, estava a passear e a voltar para casa", recordou.

Nascida no Barreiro, Patrícia Marques, de 33 anos, mudou-se aos oito com a família para Londres, onde continua a viver, no norte da capital britânica. .

Tal como a personagem principal dos seus livros, também tem ascendência luso-angolana e uma família grande, mas muito unida.

Aliás, "tia" foi uma das várias palavras que fez questão de manter em português no texto, bem como certos alimentos, como bolinhos secos, chouriço, bolas de berlim, pasteis de bacalhau e pataniscas.

A comida, admite, é um aspeto fundamental da cultura portuguesa, tal como o "calor" das pessoas no quotidiano.

"Embora seja um livro sobre um crime com elementos de ficção científica, eu queria uma componente humana e que os leitores se imergissem e sentissem uma parte daquele mundo, porque é muito diferente", explicou.

Enquanto no primeiro volume descreveu locais que frequenta, como Lisboa e Sesimbra, na sequela as personagens visitam o Porto, onde a escritora nunca esteve, por isso teve de recorrer à investigação pela Internet.

"Gostava de lá ir para conhecer melhor a atmosfera. Tenho que ir a mais sítios em Portugal porque tenho mais livros planeados e não conheço", afirma.

Na sua opinião, o cenário em Portugal dá "outra dimensão, um sabor diferente" ao livro, e também uma diferenciação de outros policiais em língua inglesa.

O livro de estreia foi redigido durante um mestrado em Escrita Criativa e foi um professor que insistiu para que Patrícia Marques contactasse agentes literários, acabando por conseguir um contrato com uma grande editora britânica.

O próximo volume espera que abra as portas ao mercado norte-americano e de outros países. Mas para ser publicado em Portugal, terá de ser traduzido. "Estou aqui desde os oito anos", vinca", "não consigo escrever em português como escrevo em inglês".

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