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Poesia

O silêncio e a palavra do poeta Daniel Faria em documentário

03 dez, 2021 - 20:28 • Maria João Costa

No ano em que se assinalam os 50 anos de vida do poeta que morreu prematuramente, estreia o documentário “Daniel Faria – O Silêncio e a Palavra” da autoria de Marlene Maia. Valter Hugo Mãe e o bispo D. Carlos Azevedo dão o seu testemunho sobre o poeta.

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Morreu prematuramente aos 28 anos. Se fosse vivo, o poeta Daniel Faria teria completado 50 anos em 2021. Entre as iniciativas que assinalam a data, estreia este sábado, às 21h00, em Paredes, na sua terra natal, o documentário “Daniel Faria – O Silêncio e a Palavra” da autoria de Marlene Maia.

O filme reúne dezasseis entrevistas, na sua maioria de pessoas que privaram com o poeta que aos 12 anos entrou para o seminário.

Em entrevista à Renascença, a autora do documentário, Marlene Maia explica que levou um ano a por de pé este projeto cinematográfico e que mergulhou “ainda mais na vida e na poesia de Daniel Faria”.

Conhecedora da obra poética de Daniel Faria, Marlene Maia indica que fez “uma investigação” para encontrar os interlocutores para este filme. Recorda que recebeu uma resposta positiva de todos os que contatou. Desde o escritor e poeta Valter Hugo Mãe que primeiro publicou na editora Quasi, os primeiros livros deste poeta formado em Teologia, até ao bispo D. Carlos Azevedo que foi entrevistado no Vaticano, onde está. “Há mesmo uma passagem na Praça de São Pedro, com o D.Carlos a fazer uma recitação de Daniel Faria”, refere.

“Este é um filme que vive essencialmente dos testemunhos dos entrevistados”, explica a autora do documentário, jornalista de profissão. Em declarações à Renascença, Marlene Maia indica que “há muito poucas imagens de Daniel Faria e as que há já eram sobejamente conhecidas”.

Segundo a realizadora, optou por isso por centrar o filme nos depoimentos “filmados em 16 localizações diferentes”. Um dos testemunhos mais marcantes em todo o filme, explica Marlene Maia é o da mãe de Daniel Faria que é “estruturante” em todo o documentário.

Produzido pela empresa Dalmática, em co-produção com a 7AM, o documentário conta com a promoção da Câmara de Paredes e encontrou o seu título nos versos de Daniel Faria.

“O silêncio e a palavra” foi extraído de um dos poemas, explica Marlene Maia que refere que estava “no meio dos versos” do poeta que morreu a 9 de junho de 1999 quando estava a concluir o noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga, em Santo Tirso.

Segundo a autora do filme, estas duas palavras “são o Daniel”. “De toda a investigação que eu fiz, de toda a poesia que li, dos depoimentos que recolhi, compreendi que o Daniel é esta dicotomia. Fazer poesia, produzir palavra, estar presente e ao mesmo tempo saber refletir, saber silenciar, saber observar”, explica.

“Em vida, Daniel Faria publicou dois livros”, lembra Marlene Maia. Quanto morreu aos 28 anos, o poeta “tinha outro livro praticamente concluído em cima da sua escrivaninha na sua cela no Mosteiro de Sigeverga. Depois veio a descobrir-se outro livro, ‘O Livro de Joaquim’ entretanto publicado” conta a jornalista de 42 anos. Já este ano saiu, pela Assírio e Alvim um outro livro inédito “Sétimo Dia”.

"Daniel Faria - O silêncio e a palavra" é o décimo quinto filme de Marlene Maia e tem estreia este sábado às 21h00 em Paredes, a terra natal de Daniel Faria

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