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Leiria

Curar os Comuns quer mostrar a Europa que somos

18 nov, 2021 - 21:15 • Teresa Paula Costa

Candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura em 2027 foi enviada. Envolvendo 26 municípios do centro do país, quer mostrar “a Europa que somos”.

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O dossier da candidatura da Rede Cultura 2027 à Capital Europeia da Cultura foi enviado esta quinta-feira enviado para o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação do Ministério da Cultura.

Foi a primeira candidatura de municípios portugueses a ser enviada. Portugal e Letónia vão, em 2027, acolher o evento da Capital Europeia da Cultura e, em Portugal, há mais 11 candidaturas em preparação. O Gabinete deverá reencaminhar o dossier para o júri europeu que avaliará as candidaturas.

26 municípios do Centro envolvidos

A candidatura abrange o território de 26 concelhos - Alcanena, Alcobaça, Alenquer, Alvaiázere, Ansião, Arruda dos Vinhos, Batalha, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Lourinhã, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Ourém, Pedrógão Grande, Peniche, Pombal, Porto de Mós, Sobral de Monte Agraço, Tomar, Torres Novas e Torres Vedras. É a candidatura que apresenta maior amplitude geográfica e populacional.


São 5834 quilómetros quadrados de uma área com mais de 800 mil habitantes. “Um território com muita diversidade, mas muito direcionado para o seu empreendedorismo económico” afirmou à Renascença o autarca de Leiria. Segundo Gonçalo Lopes, “o facto de a cultura ter aparecido de uma maneira tão forte nos últimos anos, com novas formações musicais e artistas reconhecidos a nível internacional na área da dança, criou, de uma maneira muito natural, nesta região, uma forte vontade de criar uma rede que poderia ser um forte candidato a ser Capital Europeia da Cultura em 2027”. Assim, em 2019, nascia a Rede Cultura 2027.

Mostrar a Europa que somos

Ao longo de seis anos, tal como se se tratasse de uma “Comunidade Europeia”, os municípios desdobraram-se “em reuniões bilaterais, acordos, memorandos de entendimento, consensualização orçamental”, um processo “próprio da integração europeia”, revelou Gonçalo Lopes. Até porque “temos problemas que queremos resolver em comum”.

E é precisamente essa experiência da realidade governativa europeia que esta candidatura pretende mostrar. Por isso, “não vamos ser avaliados pelo que temos de extraordinário”, mas pela capacidade que temos de “mostrar a europa que somos”, salientou o Coordenador do Grupo Executivo da Rede Cultura 2027, Paulo Lameiro.

Cultura já está no terreno

Na prática, o projeto já está há três anos no terreno, com a realização de eventos nos 26 concelhos. “O Museu na aldeia” é um deles. Artistas plásticos contemporâneos visitam aldeias do interior onde os idosos nunca tiveram contacto com a arte contemporânea.

Como resultado, os idosos começaram já a criar as suas próprias obras e a entregá-las aos museus das cidades, contou Paulo Lameiro.

Apesar do dossier ter sido entregue “a programação não está fechada”, acentuou Lígia Afonso, a historiadora de arte que colaborou na elaboração do dossier da candidatura.

Curar os comuns

O lema da candidatura da Rede Cultura 2027 é “Curar os comuns”.


Uma expressão que, segundo Lígia Afonso, significa “curar as feridas do próprio território”, como tem de acontecer na sequência dos incêndios florestais. Também significa afirmar “a qualidade hospitaleira do território”, através das estâncias termais e dos hospitais. E ainda cuidar do que é de todos, “como o ar que respiramos e a água que bebemos”.

A Rede Cultura 2027 acredita que em março já serão conhecidas as candidaturas que terão passado à final.


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