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R de resiliente. Os desafios da pandemia e futuro da rádio em conferência

07 out, 2021 - 18:51 • Maria João Costa

Lisboa acolhe de 9 a 11 de outubro a Radiodays Europe. A conferência internacional vai juntar profissionais do setor para debater o estado da rádio depois de mais de ano e meio de pandemia e os desafios futuros.

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Chama-se “POPCASTS”, é a nova plataforma de Podcasts do Grupo Renascença Multimédia. O nome foi revelado esta quinta-feira e pretende lançar uma plataforma digital que vai concentrar dezenas de conteúdos áudio de entretenimento, humor, informação, lifestyle ou desporto.

Uma novidade conhecida a dois dias de Lisboa receber a “Radiodays Europa”, uma conferência internacional que, de sábado a segunda-feira, vai debater os desafios da rádio no presente e para o futuro

Em uníssono, os administradores dos três principais grupos portugueses de rádio repetem a palavra “resiliente”, quando falam sobre o impacto que a pandemia teve no setor. Face à diminuição do investimento publicitário sofrido ao longo do último ano e meio, houve que resistir, diz José Luís Ramos Pinheiro do Grupo Renascença Multimédia.

“Um dos significados do R de rádio é que é resiliente e resistente. É isso que aqui no Grupo Renascença/Multimédia, mas também no mercado da rádio em geral e concretamente no Europeu se tem verificado. É que a rádio tenta resistir e consegue resistir a estas intempéries”, afirma o administrador.

Ramos Pinheiro, refere no entanto que “o problema das receitas foi tremendo” para as rádios e acrescenta que “provavelmente o público não tem a noção da dimensão das dificuldades económicas que atingiram as rádios na fase mais aguda da pandemia uma vez que os investidores se encolheram nas suas decisões de investimento”.

Apesar do avançar de verbas públicas que permitiu algum balão de oxigénio em termos financeiros aos média, a pandemia trouxe também outros desafios. Nas palavras de Salvador Bourbon Ribeiro, CEO da Media Capital Rádios, a rádio sofreu outra prova de esforço, nomeadamente na “manutenção dos seus níveis de consumo”.

Este responsável de rádios como a M80 ou a Comercial lembra que “ao longo dos anos as rádios têm tido desafios permanentes”, desde “a criação da televisão, depois com a massificação das plataformas digitais”, mas ainda assim aponta Salvador Bourbon Ribeiro, a rádio “tem mostrado uma resiliência muito grande”.

No segredo dessa resistência está segundo o administrador “a sua quase íntima relação com cada um dos ouvintes, e o reforço da credibilidade que tem enquanto meio de comunicação”. Ainda assim, Salvador Bourbon Ribeiro aponta desafios que a pandemia trouxe, sobretudo na alteração da forma de ouvir rádio.

“Temos desafios muito grandes pela frente. Vivemos num país onde uma parte substancial do consumo de rádio ainda é feito no automóvel, os estudos mostram isso, mas também neste país a utilização de app’s e de sites para o consumo de rádio é cada vez maior. O acompanhamento do ouvinte nos hábitos de consumo dos média é um dos maiores desafios que a rádio tem neste momento”, refere.

Esses e outros desafios serão debatidos na Radiodays Europe que Lisboa acolhe a partir de sexta-feira. Trata-se de uma espécie de Websummit, mas onde a rádio está no epicentro de debate exemplifica Jorge Alexandre Lopes

O diretor adjunto de programas para as novas plataformas de distribuição da Rádio Difusão Portuguesa fala numa “rádio Summit” e acrescenta que será “um fim de semana em que estão presentes os grandes players, alguns gurus e certamente profissionais dos quatro cantos do mundo, muito centrados na Europa, e que vêm falar daquilo que são os desafios presentes e futuros da rádio”.

Prevista está a presença na audiência no Centro de Congressos de Lisboa, de trezentos portugueses e mais seiscentos estrangeiros numa conferência que pensa também o mercado de áudio.

Com o Podcast a ganhar terreno há cada vez mais rádios a marcarem presença neste segmento. Exemplo disso é a Popcast que o Grupo Renascença Multimédia está a lançar. “Vai permitir, não só expor de uma forma mais alargada a diversidade de conteúdos de Podcast do Grupo Renascença Multimédia, mas é uma plataforma também aberta a outras rádios, a outros meios de comunicação e até a particulares que possam ter Podcasts que possam ser considerados relevantes e que possam contribuir para esta plataforma”, explica Ramos Pinheiro do Grupo composto pelas rádios Renascença, RFM e Megahits.

A questão é saber como é que o mercado publicitário poderá reagir a esta diversidade de conteúdos áudio. Em resposta a isso Salvador Bourbon Ribeiro da Média Capital Rádios aponta que “o mercado publicitário estará sempre onde os consumidores estiverem e a rádio tem é de saber estar onde os consumidores estão”.

O desafio, diz este responsável é conseguir “fazer esse match, estar exatamente onde os consumidores estão”. Se isso for feito vaticina, “o mercado publicitário vai acompanhar com certeza”.

Mas não é só nas rádios privadas que o financiamento é um desafio reconhece Jorge Alexandre Lopes da RDP. “As rádios publicas em toda a Europa, e no mundo, têm outro tipo de pressão. Há uma grande discussão e reflexão de como será o modelo de financiamento das rádios públicas”, aponta.

Quer rádios “públicas e privadas, cada uma na sua linha, estão muito sujeitas a esta dualidade. Por um lado, têm de introduzir uma nova dimensão digital, e a esse nível, uma nova visão e grande investimento, por outro lado temos financiamentos que são cada vez mais difíceis” refere Jorge Alexandre Lopes da RDP, um dos grupos de rádios que conjuntamente com a Média Capital Rádios e o Grupo Renascença Multimédia são coprodutores do evento Radiodays Europe.

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