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50 anos de performance arte em Portugal para ver em Vila Real

02 jul, 2021 - 08:46 • Olímpia Mairos

É a primeira mostra retrospetiva sobre performance arte em Portugal, que marca uma extensa investigação sobre 50 anos de trabalho do artista Albuquerque Mendes.

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O Museu da Vila Velha, em Vila Real, acolhe a partir de domingo e até 26 de setembro a exposição “Albuquerque Mendes: Corpo de Performance”.

Trata-se da primeira mostra retrospetiva sobre performance arte em Portugal, que marca uma extensa investigação sobre 50 anos de trabalho do artista Albuquerque Mendes.

Segundo os promotores “cinco décadas desenham-se em cinco dezenas de performances do artista, com documentação audiovisual e literária que vai desde cartazes a catálogos de exposições, recortes de notícias de jornais, registos áudio, correspondência, objetos diretamente associados, fotografias, filmes e vídeos compilados por fotojornalistas, críticos de arte, galeristas, familiares e amigos”.

Com investigação, produção e curadoria de Paula Pinto, a exposição reúne inúmeros materiais audiovisuais de diferentes espólios inéditos que materializam um inventário da performance como meio de expressão artística daquele que foi um precursor daquela expressão da arte em Portugal nos anos 70.

Albuquerque Mendes cruza a pintura com a colagem, o teatro e a encenação, encurtando a distância entre artista e observador e expandindo as ações da arte para o espaço público, de forma a criar uma intrusão natural em meios sociais arredados da cultura artística.

De acordo com Paula Pinto, “as performances de Albuquerque Mendes evidenciam a integração simbólica das práticas sociais e celebram a criação coletiva ou o sentido de comunidade que as ações ritualistas proporcionam”.

“No centro das suas performances está a memória dos rituais pagãos e religiosos ainda celebrados em algumas aldeias e cidades portuguesas, como Trancoso, no distrito da Guarda, onde nasceu, mas também o sentido da liberdade social, da festa e da revolução, característicos do espírito de mudança que esteve no centro das transformações artísticas dos anos setenta”, acrescenta.

Ainda segundo Paula Pinto, Albuquerque Mendes transporta consigo a “memória de comportamentos associados à celebração de rituais religiosos, das manifestações próprias da revolução de abril de 1974, da coreografia de uma dança, de um ritual de sedução, do cerimonial de uma confissão, da passagem de um legado ou do simbolismo libertário associado à gestualidade do artista... múltiplas ações que nos transportam para o conturbado domínio simbólico da negociação entre os afetos e as normas socioculturais”.

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