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​De bailarino a fadista. A história de Jonas e do primeiro disco “São Jorge”

17 jun, 2021 - 14:27 • Maria João Costa

É lançado esta sexta-feira o primeiro disco de originais de Jonas. O fadista apresentará “São Jorge” em palco no próximo dia 8 de julho, na praça Central do Centro Cultural de Belém.

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Acredita no destino e diz que foi o fado que o escolheu. Jonas é uma das novas promessas da música portuguesa. Antes de chegar à gravação do disco que agora apresenta, “São Jorge”, a veia artística revelou-se também na dança.

Jonas é também bailarino e coreógrafo. Mas foi pela mão de Jorge Fernando, que lhe produziu o disco, que agora chegará aos palcos como fadista. “São Jorge” é apresentado em concerto a 8 de julho, no Centro Cultural de Belém. Ao Ensaio Geral da Renascença, Jonas fala de como nasceu para o fado, do disco que diz ser autobiográfico e do single, “Jacarandá”, um tema que é uma “biografia coletiva”.

Como é que o fado aconteceu na sua vida?

É um cliché dizer que o fado nos escolhe, mas foi assim que aconteceu. A minha mãe cantava fado de forma amadora, e também dançava como eu faço. Desde pequenino que ouvia fado e sempre cantei. A primeira vez que cantei em público foi na Casa de Linhares, onde estava o Jorge Fernando e onde começamos uma relação bastante próxima, porque existiu uma identificação artística pessoal muito grande.

Foi então que começou a mergulhar neste mundo do fado?

O arranque mesmo foi quando eu estive em Londres, a estudar numa escola de Circo, depois de sair do Chapitô. O fado começou a ganhar grandes proporções aí. Cantei fado nos sítios mais variados e inacreditáveis que se possa imaginar. Decidi então regressar a Portugal, para gravar um álbum de fado, coisa que aconteceu logo em 2011 com Rosa Negra e agora a solo com este “São Jorge”, uma coisa mais pessoal, mais biográfica.


Que disco é este, “São Jorge”, em que sentido fala de si?

É a minha primeira apresentação como cantautor, um projeto completamente diferente. O “São Jorge” é um testemunho de um cidadão de Lisboa, de alguém que nasceu e viveu a sua infância e adolescência em Lisboa. É uma chamada de alerta para algumas coisas que muitas vezes as pessoas não repararam. É um projeto muito pessoal, muito autobiográfico. É um testemunho da minha visão do ambiente português e lisboeta.

Contou com a produção do Jorge Fernando. Em que medida foi determinante a experiência dele?

Os arranjos do Jorge Fernando e a produção do álbum foram muito importantes. Acho que não existiria ninguém que conseguisse ler as minhas melodias e letras e que lhes conseguisse dar arranjo com tanto entendimento como o Jorge Fernando fez. Costumo dizer que ele é o “meu próprio São Jorge Fernando”! Para mim ele é a personagem mais transversal ao Fado e que tocou os maiores nomes e mais nomes do Fado e consequentemente, tem mais fado!

O single que está a lançar deste “São Jorge” chama-se “Jacarandá”, foi escrito por si. Que tema é este?

O Jacarandá assume uma dimensão de metáfora. É uma árvore que floresce, que perde a folha e volta a ganhar a folha, um pouco como as fases que nós vamos ultrapassando. Com a idade a casca também vai ficando mais enrugada. É considerada uma madeira de luxo e muito utilizada para instrumentos musicais. Sempre tive um fascínio enorme por esta árvore. Também porque é uma árvore muito conectada com o Brasil. O fado nasce, e as origens são encontradas no Rio de Janeiro e em Lisboa. Sempre achei este paralelismo muito interessante. Mas o tema nasceu de uma performance de um laboratório artístico que fiz com a Clara Andermatt. Na altura entregava duas frases por preencher a várias pessoas. Eu nasci para…e eu vou morrer para…

E as pessoas responderam?

Os meus amigos e as pessoas que responderam entregavam-me listas! E esta música surgiu de várias frases e da entrega dessas listas. Obvio que a maior parte das frases corresponde à minha vida, são mais biográficas, mas estão também ali frases de outras pessoas. O curioso é que as pessoas que ouvem este tema pensam que é só meu, mas não. Ele é uma história comum, de várias pessoas. Assume-se como essa biografia coletiva.

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