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Morreu Carlos do Carmo. Ministra da Cultura lembra "uma das maiores referências do fado"

01 jan, 2021 - 12:16 • Lusa

Graça Fonseca lamenta a perde de um artista que lutou sempre pela divulgação do fado.

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Morreu Carlos do Carmo, o rei do Fado
Morreu Carlos do Carmo, o rei do Fado

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, "lamenta profundamente" a morte de Carlos do Carmo, "uma das maiores referências da interpretação do fado, que mostrou sempre uma especial preocupação com a divulgação desta forma de música".

Graça Fonseca reagia assim à morte de Carlos do Carmo, esta sexta-feira, em Lisboa, na conta oficial do Ministério da Cultura, na rede social Twitter.

Numa nota oficial de pesar divulgada posteriormente, o Ministério da Cultura considera o cantor, que desapareceu aos 81 anos, uma “figura maior do Fado e da música portuguesa e que divulgou, em Portugal e no estrangeiro, a Cultura e a Língua portuguesas”.

Carlos do Carmo “transformou o Fado e abriu novos horizontes”, além de construir pontes entre “a expressão mais tradicional desta arte, com a qual iniciou a sua carreira e à qual sempre regressou, com uma forma musical mais heterodoxa e uma síntese particularmente feliz entre tradição e inovação”, refere a nota de condolências.

O cantor deverá ser recordado como "uma das maiores referências da interpretação do fado, mas também um dos seus grandes divulgadores", e desempenhou um papel "fundamental no reconhecimento nacional e internacional do Fado, seja como consultor do Museu do Fado, seja como parte da Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO".

"A sua carreira, com mais de cinco décadas, e o seu exemplo, serão sempre fonte de inspiração, mas também vida feita em história do Fado, legado artístico maior e que constitui uma parte tão importante do património cultural português. A cultura portuguesa perdeu hoje uma das suas vozes e um dos seus contadores de histórias que formam, no fundo, a nossa História", termina a nota de condolências do Ministério da Cultura.

Em 9 de novembro de 2019, quando foi concedida a Medalha de Mérito Cultural a Carlos do Carmo, no dia em que o fadista dava o seu último concerto, no Coliseu de Lisboa, o Governo português destacou o seu "inestimável contributo" para a música portuguesa.

"Num gesto simultâneo de agradecimento e de reconhecimento pelo inestimável trabalho de uma vida dedicada à divulgação do Fado e da música portuguesa, difundindo em Portugal e no estrangeiro a cultura e a língua portuguesas, ao longo de mais de cinquenta anos, entende o Governo Português prestar pública homenagem a Carlos do Carmo, concedendo-lhe a medalha de mérito cultural", lia-se no texto biográfico.

No mesmo dia em que o Governo entregava a medalha ao fadista, num artigo publicado no semanário Expresso, o primeiro-ministro, António Costa, escrevia: "Seguramente que o mais notável contributo de Carlos do Carmo para a Cultura portuguesa é a forma como militantemente renovou o fado e o preparou para novas colheitas. Sim, Carlos do Carmo não é só um notável fadista, que o público, a crítica e um Grammy consagraram. Desde logo, porque canta muito mais que o fado, como os tributos que presta aos seus ídolos Brel ou Sinatra bem demonstram. Mas porque é mesmo um militante do fado".

António Costa sustentou que foi com militância que Carlos do Carmo "libertou o fado do estigma de símbolo da ditadura e o renovou no Portugal de Abril".

Carlos do Carmo morreu hoje, aos 81 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse o seu filho Alfredo do Carmo à agência Lusa.

Nascido em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939, Carlos do Carmo era filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998) e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados O Faia, em Lisboa, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística em 1964.

Vencedor do Grammy Latino de Carreira, que recebeu em 2014, o seu percurso passou pelos principais palcos mundiais, do Olympia, em Paris, à Ópera de Frankfurt, na Alemanha, do 'Canecão', no Rio de Janeiro, ao Royal Albert Hall, em Londres.

Despediu-se dos palcos em 09 de novembro de 2019, com um concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

A discográfica Universal anunciou a publicação do seu derradeiro álbum, "E Ainda?", para o passado mês de novembro, mas é ainda aguardada a sua chegada às lojas.

Neste disco, Carlos do Carmo canta também Herberto Hélder, Sophia de Mello Breyner Andresen, Hélia Correia, Júlio Pomar e Jorge Palma, que junta aos poetas do seu repertório.

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