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Bispos portugueses vão ao Vaticano debater abusos sexuais na Igreja

17 mai, 2022 - 22:14 • Lusa

Sem apontar a data da reunião, a CEP, em nota de imprensa, aponta que “a luta contra os abusos sexuais por parte de membros da Igreja ou no âmbito das suas atividades é uma prioridade para a Igreja”.

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A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) considera “oportuna e necessária” a colaboração entre Igrejas locais e as estruturas da Igreja Universal que se ocupam da luta contra os abusos sexuais a nível global.

Os bispos portugueses anunciaram esta terça-feira uma reunião de trabalho, em Roma, entre membros do episcopado português e alguns Dicastérios da Santa Sé, para debater as questões dos abusos sexuais no seio da Igreja.

Sem apontar a data da reunião, a CEP, em nota de imprensa, aponta que “a luta contra os abusos sexuais por parte de membros da Igreja ou no âmbito das suas atividades é uma prioridade para a Igreja”.

“A Conferência Episcopal Portuguesa tomou a iniciativa de criar uma Comissão independente para estudar este tema”, continua a nota, acrescentando que “sendo esta uma prioridade que interessa a toda a Igreja, torna-se oportuna e necessária a colaboração entre as Igrejas locais e as estruturas da Igreja universal que se ocupam deste tema a nível global”.

Assim, “terá lugar em Roma uma reunião conjunta de trabalho entre alguns membros do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa e alguns Dicastérios da Santa Sé”, conclui o comunicado emitido na noite de hoje.

Esta nota surge depois de, em Assembleia Plenária realizada em Fátima, em abril, o episcopado português ter reconhecido que o trabalho da comissão independente criada pela CEP e liderada por Pedro Strecht, é “muito positivo”.

No comunicado final dos trabalhos da Assembleia Plenária, a questão dos abusos ficou plasmada, sendo reconhecida “a importância das Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis e consequente constituição de uma Coordenação Nacional para implementar procedimentos, orientações e esclarecimentos que possibilitem um melhor e mais articulado trabalho de todos”.

“Às pessoas que passaram pela dramática situação do abuso no âmbito eclesial, os Bispos reafirmam um sentido pedido de perdão, em nome da Igreja Católica, e o empenho em ajudar a curar as feridas. Agradecem também a quem se aproximou para contar a sua dura história, superando compreensíveis resistências interiores”, lê-se no comunicado, que referia também a passagem pela Assembleia Plenária de todos os membros da Comissão liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, reafirmando que o seu objetivo é “estudar este drama na vida da Igreja”, para chegar, “de forma inequívoca e eficaz, ao esclarecimento e à verdade dos factos através do estudo dos Arquivos Históricos existentes em cada Diocese, num trabalho de colaboração e confiança mútua com cada bispo diocesano”.

Até agora, a comissão recebeu já mais de 300 denúncias, tendo encaminhado para o Ministério Público 16, como foi divulgado no dia 10 de maio, numa conferência sobre o tema, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

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