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"Sem segurança e educação não há futuro" no Iraque

09 mai, 2022 - 14:50 • Ângela Roque

Responsáveis internacionais da Fundação AIS fazem balanço positivo da ajuda à reconstrução do Iraque, mas alertam que ameaça dos radicais islâmicos ainda não desapareceu.

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A guerra da Ucrânia não pode fazer a comunidade internacional esquecer o Iraque, porque a ameaça dos radicais islâmicos ainda existe. O alerta foi sublinhado esta segunda-feira numa conferência internacional promovida pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

John Pontifex, da AIS do Reino Unido, e que esteve em março último no Iraque, partilhou a preocupação que ouviu de muitos iraquianos. “Havia o receio de que se a comunidade internacional perdesse o foco no Iraque isso pudesse criar uma oportunidade para o ressurgimento dos grupos radicais islâmicos. Ouvimos essa preocupação de muitas pessoas e líderes religiosos, em muitos locais”, contou.

O ativista sublinha que “o Estado Islâmico pode ter sido derrotado militarmente, mas continua lá, escondido, à espera de uma oportunidade. E também podem aproveitar o vazio de poder que existe, a luta politica entre diferentes fações rivais também pode favorecer estes grupos extremistas”.

Regina Lynch, diretora de projetos da AIS internacional, que acompanha a situação no Iraque há 20 anos, falou da importância do apoio à reconstrução das casas, igrejas e outras infraestruturas que os radicais islâmicos destruíram, provocando o êxodo em massa da minoria cristã. Sem essa reconstrução, garantiu, muitos dos que saíram não teriam ainda regressado.

“Começámos um programa para reconstruir as casas destruídas e incendiadas, e hoje quase 50% das famílias cristãs que tinham partido já voltaram. E como as igrejas e as paróquias são fulcrais para a vida dos cristãos, também começámos a restaurar as igrejas, centros comunitários e creches que tinham sido destruídos. No total, entre 2011 e 2022, investimos mais de 52 milhões de euros”, revelou.

Com as casas reconstruídas, e mais oportunidades de emprego, os cristãos que tinham sido obrigados a deixar o Iraque, têm arriscado voltar aos poucos. Mas, o medo de novas perseguições não foi ainda totalmente afastado.

Recém chegado do país, onde inaugurou há uma semana uma escola católica das irmãs dominicanas, financiada pela AIS, Thomas Heine-Geldern, o presidente executivo da Fundação Pontifícia, falou do clima de “esperança” que encontrou, mas lembrou que “sem segurança e sem educação não há futuro”. As prioridades de intervenção vão, por isso, passar por aí, e pelo apoio à Igreja, aos religiosos e congregações.

“Vamos continuar com os nossos projetos de apoio pastoral, ajudar no que precisarem. Em segundo lugar vamos continuar a apoiar a educação e em terceiro, muito importante, continuar a dar voz aos nossos irmãos e irmãs do Iraque, exigindo à comunidade internacional que contribua para que esta zona do mundo continue em paz”.

Nesta conferência, que decorreu via Zoom, foi feito o balanço do apoio que a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre tem dado ao Iraque, onde suportou 80 por cento dos custos da reconstrução de casas e igrejas destruídas desde a invasão pelo Estado Islâmico, em 2014. A perseguição quase levou ao desaparecimento dos cristãos na região, que é o berço do Cristianismo.

Segundo os dados divulgados neste encontro, em 2015, depois da fuga a que foram obrigados, havia apenas 1 por cento de cristãos no Iraque. Apesar de alguns dos que saíram já terem regressado, calcula-se que em 2025 os cristãos representem apenas 0,6 por cento da população iraquiana.

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