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Papa denuncia "guerra brutal" na Ucrânia, antes de consagração conjunta com a Rússia

25 mar, 2022 - 16:55 • Ecclesia

"Não se trata duma fórmula mágica, mas dum ato espiritual", explica Francisco.

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 Foto: Fabio Frustaci/EPA
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O Papa denunciou hoje no Vaticano a “guerra brutal” na Ucrânia, numa homilia que antecedeu o Ato de Consagração desse país e da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, em ligação a Fátima.

“A guerra brutal, que se abateu sobre tantos e que a todos faz sofrer, provoca em cada um medo e consternação. Notamos dentro de nós uma sensação de impotência e inadequação”, referiu, na homilia da liturgia penitencial, na Basílica de São Pedro, com Confissões, que assinala a iniciativa ‘24 horas para o Senhor’.

A intervenção, com transmissão online, evocou as “notícias e imagens de morte” que chegam nos últimos dias.

“As bombas destroem as casas de muitos dos nossos irmãos e irmãs ucranianos indefesos”, lamentou, destacando que “não bastam as garantias humanas”.

“É necessária a presença de Deus, a certeza do perdão divino, o único que apaga o mal, desativa o rancor, restitui a paz ao coração. Voltemos a Deus, ao seu perdão”, insistiu.

No final desta cerimónia, decorre o Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria, com ligação a Fátima, para pedir a paz no mundo, particularmente na Ucrânia e na Rússia.

“Em união com os Bispos e os fiéis do mundo inteiro, desejo solenemente levar ao Imaculado Coração de Maria tudo o que estamos a viver: renovar-lhe a consagração da Igreja e da humanidade inteira e consagrar-lhe de modo particular o povo ucraniano e o povo russo, que, com afeto filial, a veneram como Mãe”, indicou Francisco.

Na solenidade litúrgica da Anunciação, o Papa sublinhou que Deus “intervém na história dando o seu próprio Espírito”.

“Porque nas coisas que contam, não bastam as nossas forças. Por nós sozinhos somos incapazes de resolver as contradições da história ou mesmo as do nosso coração”, acrescentou.

Francisco falou da centralidade do amor, na fé cristã, convidando a mudar o próprio coração para que “o mundo mude”.

“Consagramo-nos a Maria para entrar neste plano, para nos colocarmos à inteira disposição dos desígnios de Deus. A Mãe de Deus, depois de ter dito o seu ‘sim’, empreendeu uma longa viagem, subindo até uma região montanhosa para visitar a prima grávida. Partiu apressadamente”, realçou.

“Que Ela hoje tome pela mão o nosso caminho e o guie, através das veredas íngremes e cansativas da fraternidade e do diálogo, pela senda da paz”, desejou.

A liturgia penitencial e do Ato de Consagração inserem-se nas ‘24 horas para o Senhor’, iniciativa promovida em todo o mundo pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

À imagem do que aconteceu em anos anteriores, o próprio Papa foi confessar-se, antes de confessar alguns fiéis, durante vários minutos.

“A Reconciliação consiste antes de tudo, não num passo nosso para Deus, mas no seu abraço que nos envolve, deslumbra, comove”, declarou Francisco.

A Penitenciaria Apostólica (Santa Sé) colocou ao dispor dos fiéis várias dezenas de confessores, escolhidos entre os penitencieiros-menores das basílicas romanas.

As ‘24 horas para o Senhor’ têm como tema, em 2022, “Por meio de Cristo temos o Perdão” (Col 1, 13-14).

Após a celebração, os sinos da Basílica de São Pedro associam-se à invocação de paz por intercessão da Virgem Maria, explica uma nota divulgada pela Santa Sé.

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