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Igreja católica denuncia crise democrática e económica na Venezuela

21 jan, 2022 - 12:25 • Olímpia Mairos

Bispos consideram que “é um pecado que clama ao céu, querer manter o poder a todo o custo e tentar prolongar o fracasso e a ineficiência destas últimas décadas”.

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Os bispos da Venezuela estão preocupados e alertam para os efeitos da Covid-19 e das crises da economia e democracia no país que estão a conduzir a população “a uma situação dramática”.

“Encontramo-nos como um país numa grave crise global e democrática; o ser humano com a sua dignidade, principalmente o pobre, é colocado de lado pelo regime político, para dar relevância a um sistema ideológico exclusivo, perdendo-se o sentido da democracia como poder do povo”, lê-se no texto publicado no site da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV).

No documento, os arcebispos e bispos da Venezuela destacam três realidades específicas na “dolorosa situação do país”.

“O desmantelamento das instituições democráticas e das empresas estatais", “o dramático êxodo devido à emigração forçada de quase seis milhões de compatriotas expatriados, devido à falta de oportunidades de desenvolvimento no país” e “a pobreza da grande maioria do nosso povo, com particular destaque para a desnutrição infantil e as situações de injustiça vividas pelos idosos”, referem os bispos, acrescentando que, para além destes aspetos, “são os danos psicológicos, morais e espirituais que os venezuelanos experimentam no drama que estamos a viver”.

De acordo com a CEV, os venezuelanos "vivem uma situação dramática e extremamente grave, devido à deterioração do respeito pelos seus direitos e pela sua qualidade de vida, submersos numa pobreza crescente e sem ninguém a quem recorrer".

"É um pecado que clama ao céu, querer manter o poder a todo o custo e tentar prolongar o fracasso e a ineficiência destas últimas décadas: é moralmente inaceitável!", denunciam os bispos.

Segundo a Igreja Católica, “o luxo e o desperdício que ostentam uns poucos ofende a Deus e aos irmãos, mas, ainda mais nesta época de pandemia e de crise global no país”. E chama a atenção para a crise educativa que se generalizou, “causando uma profunda deterioração com graves repercussões nas condições em que estudantes e professores realizam as suas atividades, na qualidade do seu desempenho e expetativas”.

"Sem educação de qualidade, não há transformação. Muitos professores emigraram por causa dos salários de miséria, insuficientes para sustentar as famílias ou para continuar a sua educação", alertam.

A Conferência Episcopal Venezuela vai mais longe e afirma que no país “há um objetivo subjacente: converter o ser humano, criado por Deus como um ser livre e responsável, em um simples executor de centros idolátricos de poder”.

“Quando uma ideologia prevalece como sistema de poder, que viola os direitos humanos e rejeita a dignidade da pessoa, gera injustiça e violência institucional”, sublinha o documento.

O episcopado venezuelano convida as autoridades regionais e municipais “a atender às enormes necessidades das comunidades” e pede que as políticas “não sejam o apoio de uma ideologia, mas de apoio à vida dos mais pobres, ou seja, a construção do bem comum”.

“Como Igreja, continuamos com o compromisso de acompanhar as pessoas na salvaguarda da sua dignidade e na construção do bem comum, participando em processos de reflexão sobre a nova sociedade que queremos construir ou refundar com a participação de todos”, assinalam os bispos.

Comentários
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  • EU
    22 jan, 2022 PORTUGAL 22:48
    Sobre este ESTADO de coisas, de DESUMANIDADE é que o Historiador ROSAS devia falar e fazer HISTÓRIA. O resto é o RESTO.

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