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Índia

Governo indiano bloqueia financiamento de congregação fundada por Madre Teresa de Calcutá

28 dez, 2021 - 08:50

O ramo indiano das Missionárias da Caridade não poderá receber mais donativos de outros países, por indicação do Governo nacionalista hindu de Narendra Modi.

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O Governo indiano bloqueou, na segunda-feira, o financiamento estrangeiro das Missionárias da Caridade, uma congregação religiosa fundada na Índia por Santa Teresa de Calcutá.

Para poder receber fundos de outros países as Missionárias da Caridade necessitam de uma autorização estatal, mas esta não foi renovada. Segundo o Governo surgiram “informações adversas” durante o processo de avaliação, mas não foram adiantados detalhes.

A medida, tomada pelo Executivo do nacionalista hindu Narendra Modi, compromete o trabalho levado a cabo pelas religiosas que servem “os mais pobres dos pobres” em todo o mundo, mas com destaque para a Índia, onde a ordem foi fundada, na cidade de Calcutá pela freira macedónia, de etnia albanesa. Atualmente as Missionárias da Caridade são uma das ordens com mais vocações em todo o mundo, contando com mais de 3.000 religiosas.

A responsável do governo regional de Bengal Ocidental, onde a ordem tem a sua sede, criticou o Governo central da Índia pela ação, notando que as 22 mil pessoas, incluindo funcionários, que dependem da ordem ficam agora “sem comida e sem medicamentos.”

“A lei tem de ser respeitada, mas o trabalho humanitário não pode ser comprometido”, disse Mamata Banerjee.

A diocese de Calcutá também lamentou a decisão, dizendo que esta constitui “um presente de Natal cruel para os mais pobres dos pobres”.

O golpe contra as Missionárias da Caridade surge numa altura em que aumentam os ataques contra comunidades cristãs na Índia, especialmente em locais onde o partido nacionalista hindu BJP, de Narendra Modi, tem mais influência.

Os ativistas hindus acusam os cristãos de seduzir novos fiéis de entre as comunidades mais pobres da Índia, a troco de comida ou educação, algo que os cristãos rejeitam, dizendo que os serviços que prestam são humanitários e não praticados como contrapartida para conversões.

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