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Bispo do Porto convida todos ao “silêncio comunicativo” da “cabana de Belém”

08 dez, 2021 - 15:39 • Henrique Cunha

“Deus não se cansou de nós, não nos ameaça, não nos atira à cara o nosso egoísmo”, lembra D. Manuel Linda numa mensagem para o Natal.

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O bispo do Porto lembra que “a cena do presépio, tão cantada pelos poetas e recriada pelos artistas, é fonte de inspiração para os nossos sonhos e vivências” e “fala mais que todas as enciclopédias”.

“Não podendo, agora, sublinhar muitas lições, fixo-me, apenas, num tema: o silêncio comunicativo”, afirma numa mensagem para o próximo Natal, publicada no semanário diocesano “Voz Portucalense”, nesta quarta-feira.

“Na cabana de Belém, tudo é silêncio”, diz D. Manuel Linda. “Não obstante, esse silêncio é altamente comunicativo”, acrescenta.

“A Virgem Maria garante-nos que, para a salvação chegar ao mundo, é necessário situarmo-nos do lado de Deus. José mostra-nos a grandeza da ternura, do acolhimento e da coragem criativa no exercício da função paterna. Os Anjos antecipam o grande tema da pregação de Jesus ao indicar-nos que a pessoa se cumpre celebrando os louvores de Deus e construindo a fraternidade universal. Os animais insinuam a harmonia da casa comum e do respeito pela criação.

E o Menino apresenta-se como o Amor despojado, essa atitude de abaixamento ao nosso nível para que, pobres com o Pobre, mais facilmente estabeleçamos diálogo”, sublinha.

D. Manuel Linda refere que “não fôra este silêncio e Deus não falaria”, e afirma que “há de ser num certo recolhimento operativo e fecundo que criaremos as condições para darmos voz ao vizinho que nos fala do que ele mesmo espera da Igreja neste terceiro milénio e sentirmos o sopro do Espírito que nos move ao discernimento das atitudes a adotar e dos caminhos a percorrer”.

Depois, o bispo do Porto diz que “neste clima de concentração recebemos, também, a grande notícia de que Deus não se cansou de nós, não nos ameaça, não nos atira à cara o nosso egoísmo”, mas, “a partir do interior do nosso coração, guia a história, interpela a nossa liberdade, potencia o bem, aproxima-nos dos pobres e deserdados, compromete-nos com os descartados e os sós, acalenta a esperança dos que procuram um sentido para a vida, faz-nos cidadãos de um mundo mais unido, torna mais doce o nosso coração para experimentarmos o que é ser família biológica e humana”.

O prelado termina a sua mensagem com um voto: “Aos cristãos, desejo que estes valores estejam sempre presentes na sua vida. Aos outros homens e mulheres de boa vontade, peço que copiem, no mais alto grau possível, o recolhimento, a harmonia, a ternura e a hospitalidade desta Família de Belém”.

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