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​Dia Internacional do Voluntariado

“Que a pandemia não roube a vontade de servir os outros e fazer a diferença”

03 dez, 2021 - 06:50 • Ângela Roque

Os Leigos para o Desenvolvimento ainda não conseguiram retomar na totalidade as missões que tiveram de interromper em 2020, por causa da crise sanitária. Rita Fonseca espera que mais gente se inscreva para as sessões de formação, que estão agora a começar. Em 35 anos esta ONGD católica já mobilizou mais de 450 voluntários para missões de longa duração.

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Os Leigos para o Desenvolvimento procuram jovens adultos, dos 21 aos 40 anos, para as missões de longa duração que promovem nalguns países africanos. Para a missão que abriram em Portugal, na zona da Caparica-Pragal (Almada), os voluntários podem ter até 45 anos.

Desde que foi criada, há 35 anos, esta Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, ligada aos Jesuítas, já mobilizou mais de 450 voluntários para as missões em Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

À Renascença, Rita Fonseca conta que a pandemia obrigou a interromper alguns projetos, que têm vindo a ser retomados. E espera que, apesar da incerteza que ainda nos rege os dias, apareçam mais voluntários para as missões que terão início em setembro/outubro de 2022.

A pandemia prejudicou muito as missões dos Leigos para o Desenvolvimento?

Em 2020 tivemos de trazer para Portugal os voluntários que estavam em São Tomé e Angola, e só regressaram alguns meses mais tarde a São Tomé. A Angola ainda não conseguimos voltar, vamos regressar agora em dezembro, passados já 20 meses de termos saído da missão.

Neste momento estamos na fase de divulgação da nossa proposta de voluntariado, e do arranque da formação, porque os nossos voluntários fazem um tempo de formação e, de facto, estamos a sentir que há menos procura. Estamos a ter uma adesão muito inferior a anos anteriores.

Mas este ano já partiram alguns voluntários, em setembro. Quantos é que conseguiram enviar?

Enviámos duas voluntárias para a missão da Caparica -Pragal, e seis para a missão em São Tomé e Príncipe. Vamos agora em dezembro enviar três voluntários para a missão de Angola. Partem no próximo dia 9.

E como é que está a missão em Portugal, na Caparica-Pragal?

Começámos com três voluntários no terreno, mas fruto desta menor procura, e face aos projetos que temos em curso, neste momento só temos dois voluntários. É uma missão que tem crescido e ganhado consistência nos projetos que estamos a desenvolver, mas também foi uma missão que, fruto da pandemia, teve de se reinventar.

No caso de Portugal, os voluntários não deixaram de estar em missão, mas a missão reinventou-se na forma de estar com as pessoas, e também as necessidades que tinham, mais num contexto de emergência, que normalmente não é a nossa intervenção, mas que nos primeiros meses da pandemia foi necessário dar esse apoio.

Nesta altura já decorreram as sessões de apresentação, que fazem sempre em várias cidades, como Braga, Porto, Évora, Lisboa e Coimbra. E as sessões de formação?

Estão a arrancar. As pessoas podem entrar até à terceira reunião de formação, e vamos agora, neste início de dezembro, ter as últimas reuniões, até dia 14, e é a última oportunidade que as pessoas têm para fazer formação e poder partir em missão connosco, em setembro ou outubro de 2022.

Temos quatro modelos de formação: temos um núcleo em Lisboa, um no Porto e outro em Coimbra, presencial. Fruto da pandemia, também começámos o ano passado um formato b-learning, para quem não consegue estar presencialmente.

Portanto, ainda é possível, se houver interessados, as pessoas inscreverem-se?

Sim, ainda é possível. As inscrições encerram entre o dia 6 e o dia 14 de dezembro, consoante o núcleo de formação.

Em termos de idades quem são os voluntários que procuram para estas missões de longa duração?

O nosso perfil de voluntário é dos 21 aos 40 anos para África, e dos 21 aos 45 para a nossa missão em Portugal. Jovens licenciados ou com formação profissional, e com esta vontade de cultivar o bem e de fazer a diferença no mundo.

Em que áreas é que atuam prioritariamente?

Nos últimos anos as nossas áreas de intervenção têm sido sobretudo no desenvolvimento comunitário, na área de empreendedorismo e formação, partindo muito desta dinâmica comunitária: com a comunidade local perceber quais são as necessidades, e como é que a própria comunidade se pode juntar, para eles próprios, connosco, serem agentes de mudança da sua realidade. No fundo não somos nós que identificamos os problemas, é a própria comunidade que percebe no que é que pode intervir e como é que pode se mexer, digamos assim, para que isso possa acontecer.

Esta é uma ONGD católica que trabalha há 35 anos. Quantos voluntários já tiveram?

Nestes 35 anos já enviámos mais de 450 voluntários. Esperamos continuar a enviar mais, e que este contexto de tantas dúvidas e de tantos receios, que a pandemia trouxe, não roube às pessoas esta vontade de servir os outros e poder fazer a diferença.

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