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Bispos angolanos alertam para "perda de confiança" na justiça por "interferência política"

11 out, 2021 - 20:57 • Lusa

Bispos também estão preocupados com o "aumento dos níveis de insegurança um pouco por todo o país", onde as instituições religiosas "não são poupadas".

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A "perda de confiança" nas instituições judiciais em Angola, "derivada da evidente interferência política em determinadas decisões, não abona" ao estabelecimento de um Estado democrático e de direito, alertaram esta segunda-feira os bispos católicos angolanos.

"Que haja um grande esforço de salvaguardar o Estado democrático e de direito mantendo a independência dos poderes executivo, legislativo e judicial", recomendaram os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), no final da sua segunda assembleia plenária anual.

Este apelo surge na sequência de várias interpretações de um recente acórdão do Tribunal Constitucional (TC) angolano, divulgado na passada semana, que anulou o XIII congresso da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido na oposição, que elegeu Adalberto Costa Júnior como líder do partido.

O atual contexto sociopolítico do país também mereceu o olhar os bispos da CEAST durante a plenária que decorreu entre 6 e 11 de outubro, em Luanda, sendo que os resumos dos trabalhos foram apresentados hoje em conferência de imprensa.

Em comunicado de imprensa, apresentado pelo bispo de Cabinda e porta-voz da CEAST, D. Belmiro Chissengueti, os bispos manifestaram-se preocupados com o "aumento dos níveis de insegurança um pouco por todo o país", onde as instituições religiosas "não são poupadas".

Em relação aos assaltos, disse, o país vive nas cidades, "sobretudo em Luanda, situações de segurança bastante graves, os assaltos multiplicaram-se".

"E claro que essa multiplicação de assaltos obriga-nos a tomar uma palavra, até porque duas das nossas instituições foram assaltadas durante a nossa plenária. Portanto, o que pedimos é que a polícia tenha capacidade de mobilidade para poder fazer a cobertura naquilo que toca à sua responsabilidade", referiu D. Belmiro Chissengueti.

Segundo os bispos católicos, Angola regista um "crescimento da tensão pré-eleitoral" entre os dois grandes partidos do país e é necessário "que se melhore o discurso político para garantir a paz, segurança e harmonia entre os cidadãos".

Os bispos consideram também que a crescente inflação "diminuiu o poder de compra dos cidadãos" e que o longo verão, sobretudo no sul do país, concorreu para o "aumento da fome devido à falta de alimentos".

No domínio da vida religiosa em Angola, os prelados católicos aprovaram a "calendarização das fases da vivência e implementação do Sínodo, sendo a fase paroquial até 31 de Janeiro de 2022 e a fase diocesana até 10 de fevereiro de 2022".

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