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Afeganistão

Igrejas cristãs pedem à UE que ajude os afegãos a "escapar à violência e ao terror"

02 set, 2021 - 19:42 • Ana Lisboa

Declaração conjunta da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia e da Conferência das Igrejas Europeias alega que os refugiados afegãos "não devem ser confundidos com migrantes económicos".

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A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) e a Conferência das Igrejas Europeias (CEC) pedem à UE e aos Estados membros para "liderarem esforços comuns de solidariedade" no sentido de ajudarem os afegãos a "escapar à violência e ao terror".

"É hora de mostrar humanidade no meio da crueldade enfrentada pelos afegãos, de provar que os valores da UE não são uma retórica vazia, mas princípios orientadores práticos que levam a ações baseadas em padrões éticos, para além de meras considerações políticas ou económicas", refere a declaração conjunta assinada pelo cardeal Jean-Claude Hollerich, presidente da COMECE, e do reverendo Christian Krieger, presidente da CEC.

Neste documento conjunto, os responsáveis cristãos salientam que os refugiados afegãos "não devem ser confundidos com migrantes económicos". E dizem que "as decisões relacionadas com a sua permanência devem ser tomadas com discernimento pela União Europeia e pelos seus Estados membros, implementando os valores fundamentais da UE". Defendem ainda o seu compromisso com a Convenção Europeia dos Direitos do Homem e a Convenção de Genebra.

As Igrejas Cristãs da Europa incentivam "à criação de corredores humanitários, à reinstalação de pessoas e outras passagens seguras, para levarem os refugiados para lugares seguros fora do Afeganistão" e encorajam os Estados membros da UE a darem a "segurança de residência" aos afegãos que já estão na União Europeia e a pararem a deportação de pessoas para o Afeganistão.

Hollerich e Krieger admitem que estão "profundamente chocados" com "o sofrimento e o desamparo" da população afegã, e mostram-se "preocupados" com as pessoas que ainda precisam de sair do Afeganistão, sobretudo com os grupos vulneráveis.

Esta declaração apela a todas as partes envolvidas para trabalharem "pela paz", através do diálogo e do respeito pelo Estado de Direito e pelos direitos humanos e ainda "à comunidade internacional para proteger as pessoas que são alvo da opressão e cujas vidas estão em risco, como atores da sociedade civil, defensores dos direitos humanos, jornalistas, artistas e membros de minorias étnicas e sexuais, bem como cristãos e outras comunidades religiosas".

Condenam-se ainda "todas as formas e expressões de terrorismo" e convidam-se todos os fiéis a rezar pelo povo do Afeganistão, para que o país possa vir a encontrar "estabilidade e paz, de acordo com o respeito pela dignidade humana".

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