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Exposição

Obras de arte mostram urgência de cuidar da casa comum

15 jul, 2021 - 12:41 • Liliana Carona

Inspiradas pela encíclica papal “Laudato Si”, quatro dioceses lançam uma exposição conjunta de meia centena de peças imperfeitas, mas que mostram na perfeição o diálogo entre o artista e a natureza.

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Arte imperfeita - Reportagem de Liliana Carona
Arte imperfeita - Reportagem de Liliana Carona
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A exposição Diálogos - Na beleza das obras contemplamos a beleza do Criador está agora no Museu Diocesano de Lamego, mas vai percorrer mais outras três dioceses.

Até outubro vai estar em Lamego e depois transita para Aveiro até fevereiro, posteriormente no dia 18 de fevereiro, dia de S. Teotónio, abre em Viseu e ali permanecerá até junho, transitando por último até à Guarda”, explica Fátima Eusébio, diretora do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu, que dá a voz pela exposição conjunta das dioceses de Lamego, Aveiro, Viseu e Guarda.

“É uma exposição inovadora pela forma como é organizada, logo pelo facto de colocar as quatro dioceses em parceria. É uma iniciativa conjunta”, reitera.

A ideia chegou inspirada pelas palavras do Papa Francisco. “Na encíclica papal ‘Laudato Si’, o Papa Francisco, no número 143, fala que temos de preservar o património histórico, aliás, considera que a Igreja não cuidar do seu património ou não o disponibilizar é um ato de egoísmo”, relembra a responsável.



“Temos duas representações de Cristo e as duas peças estão muito incompletas, no Senhor da Cana Verde, o rosto só existe metade e já só tem parte de um braço”, lamenta.

Obras imperfeitas, mas que dialogam na perfeição, defende Fátima Eusébio. “São obras de arte que estabelecem diálogo com o observador, crentes ou não crentes, o artista fala sobre Deus, através das peças de arte”, observa a coordenadora.

Madeira, barro e pedra, três principais núcleos expositivos e meia centena de obras para ver.

“Temos uma escultura em que o seu verso é totalmente escavado e é possível ver o seu tronco, temos uma estrutura retabular e é possível ver a madeira que não foi trabalhada, em bruto. Na argila, há peças cujo verso é totalmente escavado e em que podemos ver a forma como a espátula trabalhou aquele material. Em simultâneo colocámos alguns desses materiais e os instrumentos para os trabalhar, um bocado de tronco de madeira, um bocado de madeira esculpida, as fases do processo, os materiais e os pigmentos utilizados, como se faz o processo para se chegar aos azulejos”, desvenda a responsável Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu.

Mais realista, só mesmo se os artistas lá estivessem a trabalhar na exposição. A pandemia não deixou. “Era importante termos os artistas”, considera ainda assim Fátima Eusébio.

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