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​“Ver ou não ver, eis a questão!”, diz o Papa a propósito da crise climática

30 mar, 2021 - 12:17 • Aura Miguel

Vaticano publica orientações pastorais para enfrentar as alterações climáticas e o drama dos deslocados. Moçambique entre as principais vítimas.

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As “Orientações Pastorais sobre as Pessoas Deslocadas pela Crise Climática”, publicadas esta terça-feira pelo Vaticano, são um guia repleto de factos, interpretações políticas e propostas relevante, com um prefácio escrito pelo Papa.

“Desde logo, sugiro que adaptemos o famoso ‘ser ou não ser’ de Hamlet e afirmemos ‘ver ou não ver, eis a questão!’ Tudo começa com a capacidade de ver de cada um, sim, a minha e a vossa.”

Francisco sublinha que “o facto de as pessoas se deslocarem porque o seu habitat local se tornou inabitável, pode parecer um processo natural, algo inevitável. No entanto, a deterioração climática resulta muito frequentemente de escolhas erradas e atividade destrutiva, egoísmo e negligência que colocam a humanidade em conflito com a criação, a nossa casa comum.“

O Papa da “Laudato Si” recorda que “à semelhança da crise da COVID-19, os números impressionantes e crescentes de deslocados pela crise climática estão rapidamente a tornar-se uma emergência grave do nosso tempo, visível quase diariamente nos nossos ecrãs e exigindo respostas globais”. E que, na maioria dos casos, as pessoas fogem à pressa, à procura de melhores condições de vida, mas "acabam em favelas perigosamente sobrepovoadas ou em alojamentos precários, à mercê do destino.”

Neste documento, o Papa convida “a ver a tragédia do desenraizamento prolongado que, ano após ano, leva os nossos irmãos e irmãs a gritar: ‘Não podemos regressar e não podemos começar de novo’ e a tomar consciência da indiferença das sociedades e governos para com esta tragédia”. E pede também para ver, cuidar e agir em conjunto”.

Com cerca de 30 páginas e escrito em várias línguas, incluindo o português, o texto divide-se em dez pontos, com sugestões concretas, a partir de intervenções do Papa e documentos da Igreja, coordenados pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, juntamente pela Secção Migrantes e Refugiados e pelo Sector de Ecologia Integral da Santa Sé.

Moçambique entres mais vulneráveis

A vulnerabilidade de milhões de deslocados e vítimas, no mundo inteiro, exige a presença da Igreja, porque “a crise climática tem um rosto humano”, disse, esta manhã, o cardeal cardeal Michael Czerny, responsável pela Secção dos Migrantes e Refugiados da Santa Sé.

Na apresentação do documento, entre vários exemplos, houve um destaque especial para a situação em Moçambique. Em ligação online, o arcebispo da Beira, D. Claudio Dalla Zuanna, alertou para os efeitos do aquecimento das águas e da desflorestação dos últimos anos, com graves consequências nas populações que vivem junto ao mar, vítimas de pesados ciclones e tempestades tropicais. Em menos de dois anos, a cidade da Beira sofreu três ciclones - o Idai foi o pior deles quando, em março de 2019, com ventos de 200 km/hora, destruiu 90% da cidade da Beira.

Uma das vitimas, Maria Madalena Issau, também participou neste encontro on line. Viúva, com apenas 32 anos, esta mãe de 5 filhos e com outros dois sobrinhos órfãos a seu cargo, perdeu todos os seus bens e alimentos numa destas inundações, mas continuou a vender peixe naquela zona. Mas “o pior aconteceu em Março de 2019 com a passagem do ciclone Idai que destruiu tudo. Todas as famílias foram abrigadas em duas escolas e, dois meses mais tarde, 618 famílias foram deslocadas para um centro de reassentamento a 60 km da Beira e a 5 km da aldeia mais próxima, que se chama Mutua”, afirmou esta moçambicana.

As condições de vida continuam precárias, “sem energia elétrica, sem trabalho, nem projetos para instruir os jovens ou ocupar as pessoas, e para um biscate as pessoas devem deslocar- se muitos quilómetros”, disse Maria Madalena Issau, e “a ONG que oferecia alimentos concluiu há um mês a sua atividade e nós agora estamos muito preocupados com o nosso futuro”.

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