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“É tempo de acolher e viver a verdade diante dos idosos e inverter o paradigma social”, defende Comissão de Justiça e Paz

18 fev, 2021 - 14:20 • Olímpia Mairos

Na sua mensagem quaresmal, o organismo da Igreja Católica reflete sobre vários setores da sociedade cível e pede um olhar diferente para a saúde e educação, ao mesmo tempo que denuncia “domínio despótico dos mercados”.

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A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) alerta, na sua mensagem para a Quaresma, que “é tempo de acolher e viver a verdade diante dos idosos e inverter o paradigma social”.

“Neste tempo favorável somos chamados a acolher cada idoso como um presente de Deus que nesta pandemia eleva um grito silencioso, mas angustiante, questiona e exige uma outra resposta, pois não nos falta engenho. Com gratidão pela vida, precisamos de desenhar uma nova proximidade, onde a institucionalização não pode ser resposta única nem primeira”, defende o organismo da Igreja Católica em Portugal.

No entender da CNJP, “a eliminação dos idosos da vida da família e da sociedade representa a expressão de um processo perverso em que já não existe a gratuidade, a generosidade, aquela riqueza de sentimentos que fazem com que a vida não seja apenas um dar e receber”.

“Eliminar os idosos é uma maldição que, muitas vezes, esta nossa sociedade se autoinflige”, alerta, defendendo que “é preciso tempo de acolher e viver a verdade, para acolher a solidão e o isolamento, convidando todos a ver mais além a verdadeira provocação da vida”.

Na mensagem quaresmal, o organismo da Igreja reflete também com um “olhar de esperança” para a saúde, embora com “preocupação”.

“Não nos podemos resignar aos efeitos mágicos diariamente exibidos de números, gráficos e imagens que parecem vindas de um qualquer filme de ficção. A saúde são pessoas. A saúde é Covid-19, mas é cancro e tantas outras doenças que apoquentam muitas pessoas, principalmente as mais pobres”, destaca.

A Comissão Nacional de Justiça e Paz olha, depois, para o setor da educação afirmando que aqui “se joga o futuro de um povo e que ela não pode ser reduzida a jogos de poder, a números semelhantes a bolas de sabão, a querer resultados sem olhar a meios”.

“Continuamos a perceber guerras por quinhões educativos, por querer fazer da educação um instrumento, onde os experimentalismos se expandem como cogumelos em inverno chuvoso”, avisa o organismo da Igreja Católica, acrescentando que “não há verdadeiro empenho educativo”.

Segundo a CNJP, “são necessários horizontes de sonho e capacidade para fazer germinar processos educativos que verdadeiramente promovam a capacidade de enfrentar o ‘novo’ e olhar para as inevitáveis dificuldades da vida como possibilidades de melhor e mais além”.

Neste tempo da “esperança que não desilude” é preciso olhar também para as feridas da criação.

“Somos convocados a cuidar das preciosidades desta Terra que se deleita com o mar e as serras, as florestas e os rios, as planuras e todas as intervenções antrópicas... Precisamos da consciência dos limites da finitude dos recursos, das respostas imperfeitas que a tecnologia oferece, dos limites que fazem parte intrínseca da criação e, ao mesmo tempo, são desafios à superação”, alerta.

Apresentado a Quaresma como um “tempo para acolher e viver a verdade”, a CNJP constata que “não falta onde meter mãos à obra”.

“Quantas realidades sociais carecem de ações que promovam uma efetiva subsidiariedade que ultrapasse o domínio despótico dos mercados de capitais e dos lucros que olha com desdém para os trabalhadores que vivem na incerteza e na penúria, em que a economia não é capaz de dar o devido valor à pessoa”, nota a CNJP, apontando que este “é um desafio nesta caminhada para, com consciência, dar maior atenção e valorização à economia social, para que esta não seja mero adereço para momentos de aflição extrema”, conclui o organismo da Igreja.

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