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Francisco contra “demónio” do ouro que exige "sacrifícios humanos" e destrói a natureza

19 jan, 2018 - 17:20 • Aura Miguel , Filipe d'Avillez

Num encontro com indígenas da Amazónia, o Papa insurgiu-se contra o termo “tráfico de pessoas”, dizendo que a palavra correcta é “escravatura” e disse que não se pode aceitar que se normalize uma cultura "machista" que discrimina as mulheres.

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O grito da Amazónia, a escravatura moderna e as estrelas do Principezinho
O grito da Amazónia, a escravatura moderna e as estrelas do Principezinho

O Papa Francisco encorajou esta sexta-feira os habitantes da Amazónia a unirem-se contra a tentação da avareza e do dinheiro, que comparou com falsos ídolos.

Lembrando que muitas pessoas se mudam para a Amazónia em busca de uma vida melhor, o Papa disse que em vários casos foram movidos pelo “brilho promissor da extracção do ouro. Mas o ouro pode-se tornar num falso deus, que pretende sacrifícios humanos”, alertou.

O Papa recordou uma passagem do Evangelho em que Jesus diz que há demónios que só podem ser expulsos com muita oração. “Os falsos deuses, os ídolos da avareza, do dinheiro, do poder corrompem tudo. Corrompem a pessoa e as instituições; e destroem também a floresta. Jesus dizia que há demónios que, para serem expulsos, se requer muita oração. Este é um deles.”

De seguida, Francisco disse que cabe aos indígenas unirem-se para fazer frente a estas ameaças. “Encorajo-vos a continuar a organizar-vos em movimentos e comunidades de todos os tipos, para procurar superar estas situações; e também a organizar-vos, a partir da fé, como comunidades eclesiais que vivem ao redor da pessoa de Jesus.”

Antes, neste mesmo discurso, diante de representantes do povo de Puerto Maldonado, Francisco tinha-se insurgido contra o tráfico humano, que classificou como escravatura.

“Habituamo-nos a usar a expressão ‘tráfico de pessoas’, mas na realidade deveríamos falar de escravatura: escravatura laboral, escravatura sexual, escravatura para fim de lucro.”

O Papa criticou duramente, também, qualquer tipo de violência contra as mulheres. “É triste constatar como, nesta terra que está sob a proteção da Mãe de Deus, muitas mulheres sejam tão desvalorizadas, desprezadas e sujeitas a violências sem fim. Não se pode ‘olhar como normal’ a violência contra as mulheres, mantendo uma cultura machista que não aceita o papel de protagonista da mulher nas nossas comunidades.”

“Não nos é lícito virar cara para o outro lado e deixar que tantas mulheres, especialmente adolescentes, sejam ‘espezinhadas’ na sua dignidade”, afirmou.

O Papa passou esta sexta-feira na Amazónia, tendo tido encontros com representantes dos povos indígenas, a quem falou da importância de contribuírem para uma face amazónica da Igreja.


Renascença no Chile e Peru com o Papa Francisco. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

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