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“É extremamente redutor dar importância aos leigos só porque há menos padres”

16 nov, 2017 - 22:06 • Henrique Cunha

Ângelo Soares, responsável pelo secretariado diocesano da Pastoral Familiar, antecipa Encontro Nacional de Leigos, em Viseu.

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É redutor dizer que a promoção dos leigos na Igreja se deve a uma eventual crise das vocações consagradas, afirma Ângelo Soares, o mais antigo ministro extraordinário da Comunhão da Diocese do Porto, responsável pelo secretariado diocesano da Pastoral Familiar e membro da equipa da Pastoral das Vocações.

“Dar importância aos leigos só porque há menos padres é extremamente redutor. Não me parece que se deva ligar a eventual promoção dos leigos a uma eventual crise das vocações consagradas”, defende.

Ângelo Soares sugere que são os leigos que muitas vezes procuram uma posição de subalternidade na Igreja.

“Eu acho que nós leigos nos pomos muitas vezes numa posição de subalternidade em relação às vocações consagradas. Nós somos leigos por vocação e direito próprio. Temos o nosso papel especifico que é fazer a Igreja presente no mundo. Nós, se calhar, somos tendencialmente preguiçosos e se podermos passar o trabalho para os senhores Padres se calhar fazemo-lo e fazemo-lo demais.”

Para além de funções ao nível diocesano, Ângelo Soares - agora reformado - arranja ainda tempo para acções de voluntariado e para colaborar na sua paróquia, na Maia, e mostra-se muito crítico do comportamento dos leigos.

“Nós pecamos por nos contentarmos com alguma mediocridade. Para os nossos filhos, civilmente queremos que eles façam cursos superiores e em termos de Igreja é a quarta classe mal tirada, é sabermos o mínimo. E depois ficamos muitas vezes pelas coisas de dentro da Igreja: por umas oraçõezinhas, por umas devoçõezinhas e não saímos a terreiros. Não vamos realmente às periferias da sociedade que o Papa referia, não tentamos ser Igreja no meio do mundo.”

Neste contexto, Ângelo Soares acredita que o encontro deste fim-de-semana, em Viseu, pode deixar boas pistas para o papel dos leigos na Igreja pela amplitude das temáticas que aborda.

“Fala da questão da esperança fala da paz, fala da cidadania, fala da família, e de muitos aspectos que, por vezes não associamos tanto à Igreja, mas é aqui que nós leigos podemos ter um papel importante. O papel do leigo não é estar dentro de casa na Igreja. É realmente fazer a Igreja presente no mundo em que vive”, afirma Ângelo Soares, em véspera do arranque do quarto Encontro Nacional de Leigos, em Viseu.

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