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Venezuela

Rangel diz que ausência de Portugal "na dita tomada de posse" de Maduro "tem um significado claro"

10 jan, 2025 - 20:18 • Pedro Mesquita

O ministro dos Negócios Estrangeiros não esclarece - à Renascença - se Portugal acabará por reconhecer Nicolás Maduro como legítimo Presidente da Venezuela: “É uma matéria que temos que concertar, sempre, com os nossos parceiros europeus.”

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Rangel sobre tomada de posse de Maduro, na Venezuela
Ouça o áudio aqui. "Portugal vai continuar a tratar, e a curar, dos interesses de toda a comunidade portuguesa", diz Rangel. Foto: Hugo Delgado/Lusa

E agora? Apesar da pressão interna e externa, Nicolás Maduro tomou esta sexta-feira posse como presidente da Venezuela. Perante a situação de facto, o que é que Portugal vai fazer?

Em declarações à Renascença, o chefe da diplomacia portuguesa, reconhece que Portugal terá de continuar a agir "com bastante prudência e com contenção”, dada a extensa comunidade portuguesa, e de luso-descendentes a residir naquele país: “Faz parte do sentido de responsabilidade do governo, obviamente, cuidar dos direitos e da situação dos portugueses na Venezuela”.

Ainda assim, Paulo Rangel sublinha que Portugal não reconhece o resultado das presidenciais venezuelanas: “Não reconheceu os resultados eleitorais... Aliás, na sequência da posição assumida pela União Europeia”.

Mas, poderá esta posição alterar-se, perante o facto consumado? “Como sabe é uma matéria que temos que concertar, sempre, com os nossos parceiros europeus”.

Ao contrário do que havia garantido em outubro à Renascença, o opositor Edmundo González Urrutia - autoproclamado presidente - não foi avistado esta sexta-feira nas proximidades do Parlamento, onde decorreu a cerimónia da tomada de posse de Maduro. Não se sabe, sequer, se conseguiu regressar à Venezuela.

Nicolás Maduro voltou a tomar posse, apesar de toda a contestação - interna e externa - aos resultados das presidenciais venezuelanas. como é que Portugal vai agir perante este facto?

Bom, como sabe o governo português não reconheceu os resultados eleitorais...aliás, na sequência da posição assumida pela União Europeia. Hoje mesmo, a Alta Representante (da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança), fez uma declaração há muito expressiva sobre a situação política na Venezuela e Portugal, desde logo, não esteve representado por ninguém na posse, no dito ato de posse. Portanto, isso tem um significado que eu julgo que é claro.

A verdade é que Nicolás Maduro tomou posse. E agora? A comunidade portuguesa é enorme na Venezuela. E agora? O que é que Portugal vai fazer?

Portugal vai continuar a tratar, e a curar, dos interesses de toda a comunidade portuguesa. Essa é uma exigência que temos para com os nossos concidadãos e para com os lusos descendentes. Muitos deles não terão nacionalidade portuguesa, mas continuam a ter um vínculo grande a Portugal e, portanto, são uma preocupação sempre nossa. Daí que nós atuemos sempre com bastante prudência e com contenção. Faz parte do sentido de responsabilidade do governo, obviamente, cuidar dos direitos e da situação dos portugueses na Venezuela.

Mas Portugal vai continuar a não reconhecer Nicolás Maduro como Presidente da Venezuela?

Como sabe é uma matéria que temos que concertar, sempre, com os nossos parceiros europeus, a começar pela Espanha e pela Itália e com a Alta Representante no seu todo e, portanto, Portugal tem essa posição que está devidamente enquadrada num esforço europeu que, aliás já tinha sido de alguma maneira protagonizado pelo anterior Alto Representante, o senhor Borrell. Agora (protagonizado) pela Alta Representante Kaja Kallas e, portanto, é nesse quadro que nós temos a nossa posição. É assim que vamos continuar, em diálogo constante com a União Europeia e com os nossos parceiros mais próximos, designadamente aqueles que têm, também, comunidades relevantes na Venezuela: é o caso da Espanha e o caso da Itália.

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