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Europeias 2024

Cotrim Figueiredo agradece "baliza aberta" aos adversários e reforça apoio à Ucrânia

28 mai, 2024 - 01:14 • Filipa Ribeiro

Candidato da Iniciativa Liberal faz vídeo-arbitragem a todas as campanhas. João Cotrim Figueiredo acusa Marta Temido de incapacidade para a Europa, chama o Bloco de Esquerda de "euro sonso" e associa Tânger Côrrea a teorias da conspiração. Na véspera da vinda de Zelensky, Cotrim Figueiredo reafirma ainda o apoio a Kiev.

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Iniciativa Liberal no caminho para as europeias
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O candidato da Iniciativa Liberal (IL) às eleições europeias está confiante para o dia 9 de junho. Num jantar -comício em Lisboa no arranque da campanha, que contou com a presença de cerca de 200 apoiantes, João Cotrim Figueiredo disse estar “confiante porque os adversários têm deixado a baliza aberta para alguns golos fáceis”.

O cabeça de lista da IL preparou uma análise como se fosse o vídeo-árbitro (VAR) das campanhas de outros partidos. A primeira crítica surge para Marta Temido, a candidata do Partido Socialista e também antiga ministra da Saúde, que acusa de ter dito “banalidades” sobre o projeto europeu. “Alguém que não foi capaz durante o período de pandemia de manter minimamente sob controlo um sistema nacional de saúde quer-nos convencer que é capaz na Europa de manter sob controlo aquela máquina brutal. Não funciona!”, disse João Cotrim Figueiredo.

Sobre Sebastião Bugalho, o candidato pelos liberais disse ter “saudades do comentador”. Na opinião de Cotrim Figueiredo, o candidato da Aliança Democrática (AD) às europeias, antigo comentador televisivo, parece agora o contrário do que era na televisão “solto, lúcido e virado para a frente”.

Como justificação, o candidato liberal usou a posição que Sebastião Bugalho tomou sobre a polémica relacionada com a liberdade de expressão. “Não foi capaz de dizer uma frase que não fosse esta: que é muito difícil conciliar liberdade de expressão com outros direitos”, disse Cotrim Figueiredo, que defende que a “liberdade de expressão vem sempre primeiro”.

Já sobre o Chega, João Cotrim Figueiredo confessou que o candidato Tânger Corrêa é alguém que o “diverte, porque nunca tinha ouvido tantas teorias da conspiração” e, ironizando, utilizou um comentário feito pelo líder da IL, Rui Rocha: “ainda hoje estamos para saber qual o real motivo do aparecimento do meteorito da semana passada, precisamos do embaixador Tânger Corrêa para nos explicar”.

Depois de vários risos na sala, o candidato dos liberais voltou às críticas ao Bloco de Esquerda, a quem apelidou de partido “euro sonso”. Cotrim Figueiredo é crítico a forma como o BE mostra apoio à Ucrânia. “O apoio do Bloco de Esquerda é um dos apoios, mas... Isso é uma sonsice. Se é para apoiar a Ucrânia é para apoiar naquilo que ela quiser”, disse acrescentando que também nas migrações o Bloco de Esquerda é sonso sobre a política de integração para os imigrantes.

Mais breve foi a análise crítica à CDU. Sobre o partido que tem como candidato João Oliveira, Cotrim Figueiredo pediu que se assumam na posição contra a moeda única. “Querem sair do euro? Querem sair da União Europeia? Assumam-se!” apelou João Cotrim Figueiredo.

O apoio à Ucrânia

Na véspera da visita do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Portugal, o candidato da IL às europeias não deixou dúvidas sobre o posicionamento do partido relativamente ao apoio à Ucrânia. Depois de uma palavra de apreço à luta do povo ucraniano, João Cotrim Figueiredo reforçou que o apoio do partido à Ucrânia “não depende se o país quer ou não aderir à União Europeia, se quer ou não aderir à NATO”, o candidato liberal afirmou que “o apoio só acaba quando a Ucrânia for dona do seu destino”.

Também o presidente da Iniciativa Liberal realçou o apoio à Ucrânia na intervenção que fez. Rui Rocha diz que visita de Volodymyr Zelensky “é uma excelente oportunidade para se dar o testemunho da importância do momento que vive a Europa com um apoio claro, inequívoco direto a Zelensky e aos ucranianos que lutam pela liberdade europeia”.

Depois de manifestado o apoio a Kiev, Rui Rocha aproveitou o entusiasmo da sala para voltar a falar do Bloco de Esquerda e reforçar que se trata de um partido “sonso”, criticando também todos os outros que estão em campanha para as europeias. “Quando ouvimos apelos à paz do PCP, do Bloco de Esquerda e de Tânger Corrêa sabemos que isso significa a paz nos termos de Putin com perda territorial para a Ucrânia, perda de soberania e capacidade de decisão”, disse.

Já sobre Marta Temido o presidente dos liberais disse que “o Partido Socialista não foi capaz de resolver o problema da saúde em Portugal" criticando o facto de a antiga ministra "confiar na Europa para resolver o problema que não fomos capazes de resolver”.

Rui Rocha não esqueceu ainda o candidato da Aliança Democrática. Para se referir a Sebastião Bugalho, Rui Rocha recorreu ao problema da habitação recordando que o candidato pela AD apresentou como solução inscrever o direito à habitação na Carta dos Direitos Fundamentais. "Quantas casas é que essa inscrição vai colocar em Portugal? Nós precisamos é de mais casas não de intenções a nível europeu", disse Rui Rocha.

No jantar-comício no primeiro dia de campanha o candidato pelos liberais deixou ainda um apelo à participação nas europeias e confessou estar preocupado com a abstenção com uma crítica já conhecida dos liberais ao dia de reflexão. “Vamos sair daqui cheios de alegria, confiança a trabalhar até à véspera de eleição porque temos um dia de reflexão para refletirmos muitos bem exceto os que votam dia 2 de junho que não precisam de refletir nada”, ironizou.

No apelo à participação, também Rui Rocha deixou o exemplo próprio. “Vou votar antecipadamente e desafio todos os portugueses a fazerem o mesmo”, disse. O presidente dos liberais reforçou o apelo realçando o novo voto em mobilidade que permite votar em qualquer ponto do país no dia 9 de junho.

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