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Montenegro

"Portugal pode ter um dos 10 melhores sistemas de saúde do mundo até 2040"

03 jul, 2023 - 12:56 • Manuela Pires com redação e Lusa

Líder do PSD acusa Governo de "visão estatizante e centralista" quanto ao SNS, culpando-o pelo "caos" instalado na Saúde.

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O PSD quer que Portugal integre o top 15 de melhores sistemas nacionais de saúde até 2030 no seio da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento da Europa (OCDE) e que suba aos 10 melhores sistemas de saúde do mundo até 2040.

As metas foram delineadas esta segunda-feira pelo líder do partido, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas após reunião da Comissão Política Permanente do PSD, com o presidente do PSD a dizer que não se tratam de campanha eleitoral.

"Nós temos de ter objetivos intercalares para os próximos anos e temos de ter objetivos que sejam a grande ambição do país e nós achamos que, até 2040, podemos ter em Portugal um sistema de saúde que, nos rankings internacionais, apareça como um dos 10 melhores do mundo nos indicadores."

Antes disso, o foco está no contexto da OCDE, sendo "ambição" do PSD "colocar Portugal nos países mais desenvolvidos da organização no que diz respeito aos indicadores de saúde".

"Há condições, 'know-how' e pessoas para podermos cumprir esse objetivo", assegura Luís Montenegro, garantindo ser "necessário um corte radical com a visão estatizante e centralista com que o Governo socialista tem gerido o SNS e que o tem conduzido para o caos em que se encontra".

Para Montenegro, é impossível "ignorar a tremenda injustiça que se instalou no acesso à saúde no país", onde "quem tem recursos financeiros consegue aceder aos serviços de saúde que pretende" e "quem não tem, fica à porta dos centros de saúde ou dos hospitais".

"Isto não é justiça social. Este não é o Estado social que defendemos", destaca Montenegro, assegurando que comprometer-se com estes objetivos não é demagogia.

"Não vimos para aqui fazer demagogia nem vimos para aqui apresentar ilusões que não são depois capazes de se materializar, porque isso é o pior serviço que podemos fazer às pessoas, é criar-lhes uma expectativa que sai gorada."

Para concretizar estas metas, o PSD tem prepatado um conjunto de estratégias "que concorram no sentido de termos serviços de saúde com rosto humano, efetivamente focado nos problemas das pessoas e das famílias em todas as fases do seu ciclo de vida", bem como "serviços de proximidade, que fomentem ativamente a responsabilidade e liberdade individual de cada cidadão nas suas opções para que possa ter o máximo de anos sem doença".

Medidas propostas pelo PSD

A primeira forma de alcançar as metas definidas, defende Montenegro, é fazer “um corte radical com a visão estatizante e centralista com o que o Governo tem gerido o SNS e o conduziu ao caos em que se encontra e que fica patente na contestação e desmotivação”.

“A ideologia não cura as pessoas, quem cura as pessoas são os profissionais de saúde, os medicamentos”, disse, afirmando que as propostas do partido são “contributos para a discussão” e sem “nenhum dogma ideológico”.

Questionado sobre o encaminhamento de grávidas de baixo risco para hospitais privados, Montenegro salientou que o recurso do SNS “à capacidade instalada do setor social é um caminho correto que o PSD defende há muitos anos”.

“Registo que o senhor ministro [Manuel Pizarro] cada vez mais se aproxima do discurso do PSD (…) Lamento que só quando há uma voragem enorme da realidade o Governo e os seus membros acordem para essa inevitabilidade”, lamentou.

O PSD inicia hoje quatro dias dedicados à saúde, com visitas a hospitais e reuniões, terminando com um agendamento potestativo no parlamento, na quinta-feira, de cinco recomendações ao Governo.

“Estamos hoje a dar o pontapé de saída nesta convocatória que fazemos ao país, agentes de saúde, políticos e Governo”, desafiou.

Entre as propostas consideradas estruturais pelos sociais-democratas para fazer "uma transformação profunda do SNS num verdadeiro Sistema Nacional de Saúde" contam-se, por exemplo, um orçamento plurianual para a saúde, um 'check up' anual "com total liberdade de escolha para cada cidadão nos sectores público, privado ou social", médico de família digital para três milhões de portugueses ou a extensão facultativa do subsistema de saúde ADSE a outros grupos populacionais, além dos funcionários públicos.

Na conferência de imprensa, que se estendeu por cerca de meia hora, Montenegro esteve ladeado do vice-presidente para a área da saúde, Miguel Pinto Luz, do líder parlamentar Joaquim Miranda Sarmento e do coordenador do Conselho Estratégico Nacional (CEN) para a saúde, o antigo deputado Nuno Freitas.

No documento entregue à comunicação social, faz-se um histórico dos contributos do PSD para o setor da saúde, desde Sá Carneiro até Pedro Passos Coelho, terminando com a apresentação dos cinco eixos estratégicos que o partido defende para a saúde e que passam pela equidade, proximidade – “mudar a porta de entrada no sistema de saúde” – inovação, colaboração entre academia, empresas e hospitais e sustentabilidade.

Montenegro não apresentou as 25 propostas estruturais da agenda mobilizadora 2030-2040 para a saúde e, questionado sobre os custos de uma delas, considerou que este não é o tempo de “quantificar investimentos, mas de determinar estratégias”, salientando que não se está em campanha eleitoral.

“Temos noção de que os problemas estratégicos e estruturais não se resolvem nem num ano nem numa legislatura, queremos envolver cidadãos, ordens profissionais, sindicatos, todos os intervenientes na construção de um programa de mudança de saúde portuguesa”, defendeu.

Comentários
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  • Amora de Bruegas
    03 jul, 2023 Tomar 15:09
    "Quem nasceu para lagartixa, jamais chegará a Jacaré!" Estes governantes terceiro-mundistas, como não conseguem fomentar o desejado desenvolvimento dos portugueses, que estão cada vez mais na cauda da Europa e a viver de euro-esmolas, escondem a verdade com promessas fantasistas! Pena que haja tanto acéfalo que ainda acredita a vota neles. Chega de tanta hipocrisia!
  • José J C Cruz Pinto
    03 jul, 2023 Ílhavo 14:18
    ["Tá-se" mesmo a ver, não "tá-se"? "Olhó esperto"] E vai conseguir isso tudo com mais "saúde privada" - a panaceia. Já foi assim na pandemia, não foi? Então não foi graças à "dita" que lidámos tão bem (um exemplo) com a pandemia? "Que teria sido de nós" se não fossem os "privados" a liderar a luta? ... Mas talvez ele esteja a propor ser ele a pagar ... para nós agradecermos!] ... Bom, mas o melhor, entretanto, será sermos nós a ter algum juízo.

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