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Jerónimo “não condena antecipadamente” Miguel Alves. Mas pede "inquérito apurado"

10 nov, 2022 - 22:33 • Lusa

Sobre os vários casos de suspeitas que envolvem socialistas, Jerónimo de Sousa afirmou, “com clareza”, que não vê “todos os eleitos do Partido Socialista como um grupo de malfeitores”.

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O secretário-geral comunista cessante, Jerónimo de Sousa, disse esta quinta-feira que o PCP “não condena antecipadamente” o secretário de Estado Miguel Alves, acusado pelo Ministério Público do crime de prevaricação, mas exige o apuramento dos factos.

“Tendo em conta a situação concreta em que se encontra esse caso, deve proceder-se a um inquérito apurado, à investigação necessária e a um desfecho de julgamento justo. Nesse sentido, não condenamos antecipadamente”, afirmou aos jornalistas o ainda secretário-geral do PCP, antes de participar uma sessão pública comemorativa do aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal, na Marinha Grande.

Jerónimo de Sousa acrescentou que “há um processo que decorre em termos de investigação e de defesa pessoal, mas em termos de necessidade de apuramento, que esse seja um facto apurado com todas as consequências que daí possam resultar”.

Sobre os vários casos de suspeitas que envolvem socialistas, Jerónimo de Sousa afirmou, “com clareza”, que não vê “todos os eleitos do Partido Socialista como um grupo de malfeitores”.

“No entanto, as coisas não podem passar de uma forma incólume e deve-se fazer esse apuramento, esse inquérito. Deve-se apurar a verdade e julgar em conformidade com esse apuramento”, disse.

Para Jerónimo de Sousa, “a democracia só ganha com essa clarificação, com essa transparência, não impedindo a defesa dessa mesma pessoa”.

Questionado sobre a sugestão de um pacto de regime entre todos os partidos na Assembleia da República pela Conferência Episcopal Portuguesa, o secretário-geral do PCP considerou que “são conselhos avisados", mas advertiu que "não basta olhar para essa realidade, antes é preciso transformá-la”.

“Esta maioria do PS dificultou a convergência de opiniões em relação às políticas concretas a nível interno no nosso país. Hoje, os portugueses olham para a sua vida e sentem as consequências do aumento do custo de vida, do aumento dos combustíveis, do aumento dos preços da alimentação, das taxas de juro, um problema sério em que o Governo procura de certa forma navegar à vista, tratando pontualmente desta ou daquela questão, mas sem uma visão estratégica”, declarou.

Para Jerónimo de Sousa, o Governo não tem uma “conceção de fundo em relação aos caminhos a trilhar para que o país e o povo possam fazer uma afirmação de confiança e de esperança em relação ao futuro”.

“Isso não está garantido pelo PS, não está garantido nesta proposta de Orçamento do Estado. Podem dizer que os portugueses não percebem nada de política, mas há uma coisa que percebem: os portugueses estão a sofrer as consequências de uma política errada”, destacou.

Jerónimo de Sousa insistiu que o Orçamento do Estado “não responde” aos problemas do país, pelo que o grupo parlamentar do PCP vai dar “uma nota negativa”.

“Ainda é possível este país, que não é um país pobre, mas que tem sido um país empobrecido, ter condições para afirmar um caminho, uma linha fundamental de desenvolvimento, de progresso, de justiça social. Queremos fazer a nossa parte, duvidamos que o governo queira fazer a sua”, rematou.

O Ministério Público (MP) acusou Miguel Alves, antigo presidente da Câmara de Caminha e que se demitiu hoje do cargo de secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, de prevaricação, indicou à agência Lusa fonte judicial.

Segundo a mesma fonte, em causa estão contratos adjudicados pelo município de Caminha para, alegadamente, favorecer uma empresa de comunicação de Manuela Couto, mulher do ex-autarca de Santo Tirso Joaquim Couto e que está a ser julgada na “Operação Éter”, durante o período em que Miguel Alves era presidente desta autarquia do distrito de Viana do Castelo.

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